Filha de pais de classe média baixa – o dinheiro, sempre pouco, e as prioridades, muitas -, nunca pude ir ao tal do Playcenter, ali na Casa Verde, próximo à Marginal Tietê.
Este parque de diversões, inaugurado em 1973, foi o pioneiro no estilo a possuir a primeira montanha-russa do país. E estava ali, pertinho da minha casa, mas ao mesmo tempo tão inatingível, pela situação econômica da minha família.
Quantas e quantas vezes, ao passar de ônibus pela Ponte do Limão, eu imaginava como seria o parque por dentro e como seria andar nos brinquedos, tão anunciados pela mídia e tão comentados pelos meus amiguinhos de classe na escola. Ouvia-se falar em brinquedos giratórios, teleféricos, labirinto de espelhos e atrações como o show da baleia Orca e da "mulher monga", a mulher-macaco.
Lembro-me do Passaporte da Alegria, uma grande promoção que fizeram; contudo, quando não se tem dinheiro, não adianta propostas vantajosas, ofertas ou promoções: o dinheiro não dava. Este parque fez parte do meu imaginário infantil e, dentro da minha cabecinha, nos altos dos meus nove anos que tinha na época da sua construção, era o parque dos meus sonhos.
Assim sendo, quando menina, prometi pra mim mesma que, quando eu crescesse e tivesse trabalhando, daria um pulo lá. Que nada! Os anos se passaram e na fase adulta, as prioridades são outras, a gente tem coisas muito mais importantes e você acaba pensando que já está velha para este tipo de divertimento.
Não sei se o Playcenter de hoje, com seus brinquedos radicais, seria um atrativo pra mim, contudo estou devendo para a "Etel criança" uma visitinha a este parque, que já foi cartão-postal de São Paulo.
Entretanto, a parte irônica desta história é que, morando nos EUA, já fui umas três vezes na Disney, parque este que "nunca", em sã consciência, havia passado na minha mente que poderia visitar! A vida é uma caixa de surpresas, e como diz o ditado, a gente faz planos e Deus dá gargalhadas!
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