São muitas as saudades quando volto os meus pensamentos ao início dos anos 60.
Eu, meus irmãos e pais estávamos morando provisoriamente com uma tia avó, na Lapa de Baixo, num sobradão imenso nas esquinas das Ruas Tenente Landy e Moxey.
No final da Rua Tenente Landy morava um tio avô solteirão e sua irmã, já sexagenário e que adorava os sobrinhos netos. Eu e o meu irmão passávamos boa parte das tardes em companhia dele e ficávamos felizes, quando o víamos preparando os apetrechos para irmos pescar na lagoa próxima ao córrego Mandi, afluente do Rio Tietê, há muito tempo canalizado, onde hoje encontra-se a TV Cultura.
Toda essa região pertencia à várzea do Rio Tietê, destacando-se às sementeiras nativas cobertas de coleirinhas, bicos de lacre, canários da terra, pintassilgos e outros passarinhos tão abundantes, competindo pelos grãos e hoje tão raros, mesmo nos bosque e matas distantes da capital.
Ao chegarmos na lagoa, o tio avô escolhia um local, que para ele deveria estar repleto de lambaris, acarás, traíras e outros peixes menos comuns. Aprontava duas varinhas com anzóis mosquitinhos, uma para mim e outra para o meu irmão, iscadas com minhocas e fazia o desafio para quem pegaria o primeiro lambari que serviria de isca para a sua linhada de chumbada na esperança de fisgar uma traíra.
Tantas foram as pescarias, sempre com o mesmo roteiro. Na volta o samburá repleto de lambaris, para o desgosto da tia avó, irmã do tio "pescador", que passaria o final da tarde limpando os peixinhos, sem nunca ter limpado uma única traíra.
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