Para mim promessa é divida e tem de ser quitada. Então como prometi escrever sobre minhas peregrinações religiosas, hoje cutuco o passado e tento descrever uma das muitas que fiz ao Santuário de Nossa Senhora da Penha.
Essas peregrinações ocorriam todas as Sextas-Feiras da Paixão e eram realizadas por uma turma de freqüentadores assíduos do Bar e Lanches Urupês, situado na esquina das Ruas São Domingos e Major Diogo, no Bixiga.
Esse bar, era de propriedade de dois irmãos, muito queridos por todos os clientes, eram eles o Nelson e o Luiz Meggiolaro. O Luiz era o principal fomentador dessas caminhadas, a ele se juntavam o João Fonseca (compadre do Luiz), o Alfredo Chammas (meu pai), o Biaggio, o Nelson, o Paulo Domingos (o Mingo), o Alvarenga (Vavá) para os íntimos), o Luiz Loschiavo, os filhos do Luiz, o Carlinhos (meu irmão), o Roberto (meu primo) e vários outros freqüentadores do bar, que desejavam penitenciar-se por pecaditos praticados durante o ano.
O ponto de saída era o próprio Bar que, nesse dia, guardava respeito e não abria. O horário 6:00 horas da matina, o percurso era:
Rua São Domingos até a Rua Abolição, Viadutos até a praça da Sé, Avenida Rangel Pestana, Avenida Celso Garcia, Rua da Penha e Igreja Nossa Senhora da Penha (antiga).
Nesse trajeto, todo feito à pé, os participantes iam conversando, brincando e até mesmo cantando musicas e sucessos de anos anteriores. O grupinho de cantores era formado, impreterivelmente: por este escrevedor, o Mingo, e o João Fonseca, os outros serviam apenas como memória para lembrar as musicas antigas. No passo e no compasso, lá ia o grupo no propósito de cumprir um ato religioso.
Por volta de 9:00 horas da manhã estávamos chegando à Igreja, entrávamos, cumpríamos nossas obrigações de fé, e saíamos para tomar um café reforçado na padaria próxima, depois dávamos um passeio pelas ruas do bairro e, por fim, entravamos em um ônibus (Penha-Lapa) que nos levava bem, próximo de casa.
Chegávamos por volta de 11:00 horas, cada um ia para sua casa e depois de lavar-se, ia de volta para casa do Luiz onde a Da. Izabel, sua esposa, estava nos esperando com uma macarronada ao bacalhau, e uma bacalhoada com batatas, tudo isso regado ao bom azeite e um excelente vinho.
Toda essa atividade fazia com que a Sexta-Feira da Paixão chegasse logo ao seu final que, era coroado com a Procissão do Enterro que fazíamos questão de acompanhar.
Depois, então, dormir por que sábado era dia de "malhar o Judas" que iria exigir muita vitalidade e força da nossa parte.
Mas esta é uma outra história e outro dia nos contaremos.