Passeando pela Rua do Pocinho

Amigos, convido-os para um passeio na Rua do Pocinho, no centro de São Paulo. Quem vai comigo? Não se assustem e nem tenham medo porque a Rua do Pocinho é muito conhecida, bonita e chique. Ela sai da Praça da República e vai em direção ao Largo do Arouche. Hoje, ela se chama Avenida Vieira de Carvalho. Já se chamou também Rua da Santa Cruz.

Por que Rua do Pocinho? Este foi o nome que a população deu naqueles tempos. Há mais ou menos cem anos aquela região era apenas um arrabalde na cidade de São Paulo, entre o Anhangabaú e o Tamanduateí. Onde hoje é o Largo do Arouche havia quintais com restos das plantações de chá do Marechal Arouche. A Rua ficou conhecida por este nome porque ali ocorreu uma tragédia, na primeira metade do século XIX.

Mais ou menos na metade da rua de quem vai da Praça da República para o Largo do Arouche, do lado esquerdo, havia um grande terreno e nele havia um poço. O dono mandou fazer uma limpeza no poço, pois dele se servia costumeiramente. Para esse serviço, do lado de fora ficava um ajudante que manejava o sarilho onde a corda se enrolava e cuja ponta estava atada na cintura do poceiro. Por desgraça, a corda se rompeu antes que ele chegasse ao fundo. Apesar de todos os esforços durante muitas horas, não foi possível salvá-lo. O poço era estreito e fundo e não conseguiram tirá-lo da água.

O dono mandou, então, entulhar o poço e a população fincou sobre ele uma cruz, em piedade ao pobre poceiro. Mais tarde ali foi erguida também uma capelinha, que ficou conhecida como a Capela da Santa Cruz do Pocinho. Este fato foi relatado pelo prof. José de Souza Martins que conhece, como poucos, muitas histórias sobre São Paulo e seus habitantes. Desde meus tempos de mocinha eu gostava de transitar por esta região. Já casada, íamos aos restaurantes e docerias na Vieira de Carvalho e fizemos muitas compras de boas roupas em suas lojas. Hoje, ela apresenta alguns pontos decadentes e outros sendo reformados, como é o caso do Hotel. Ela deveria ser restaurada porque é um logradouro, como toda a região, dos mais importantes da história da cidade.

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