Parada (da memória) Inglesa

Morei na Parada Inglesa, mais especificamente na Avenida Ataliba Leonel, 2714, entre os anos de 1959 e começo de 1973. Praticamente nasci lá, pois sou de fevereiro de 1957.

Li com muita emoção relatos desse pedaço do Bairro e as lembranças que elas me trouxeram: Primeiro foi a horta na esquina da Ataliba com a Paulo Avelar (lado ímpar). A narradora citou o ano de 1972, mas acho que nessa época a horta já não funcionava mais.

Outro citou a farmácia do Zezinho e do Heitor. Quantos joelhos ralados e unhas arrancadas nas peladas de rua foram devidamente "consertados" ali.

O Padre Júlio é unanimidade! Quantas pessoas não fizeram a primeira comunhão, inclusive eu, lá. Tinha a adega (acho que do Senhor Oswaldo) quase ao lado da farmácia. Na mesma calçada da minha casa, tinha o bar do Seu Augusto (se não me engano o nome), onde comprávamos pão e leite (e cigarros, pois meu pai fumava muito) e que morava numa bela casa (hoje abandonada) ao lado da minha.

Meu pai tinha uma quitanda que funcionava na parte da frente da casa que morávamos. Era o Seu Armando ajudado pela minha mãe, Dona Maria. Ainda na mesma calçada, havia a sapataria do Senhor Benedito, ao lado do bazar da Dona Lina.

Na esquina da Ataliba com a Adelino de Bortoli havia um depósito de carvão! Um pouco depois chegou ao Bairro o Senhor Antônio Espinosa que abriu uma espécie de loja que hoje seria um Pet Shop com artigos para pássaros (gaiolas e ração) e, em época de festas juninas, vendia rojões, balões e bombinhas.

Nos primeiros anos de bairro, minha vida se resumia ao quarteirão delimitado pela Paulo Avelar e Adelino de Bortoli. Com o passar dos anos, comecei a estender os limites e já brincava de bola no campinho no fim da Rua Sete de Novembro, onde passava o córrego (hoje a Avenida Luís Dumont Vilares, Avenida Nova para os mais íntimos da Parada Inglesa).

Nessa época (1964), já estava matriculado no Grupo Escolar de Vila Isolina Mazzei (Rua Santa Leocádia). Se não me engano era o primeiro ano de funcionamento da escola, pois estalava de nova. Se não fosse ela teria que estudar, ou no Toledo Barbosa (Rua Maria Cândida), ou Pedro Costa (Rua Nilo Luis Mazzei). Lembro com saudades do nome da minha professora do primeiro ano, Maria Cândida. Lembro que era muito jovem e devia ter no máximo 18 anos, mas com certeza muito responsável e ciente da sua missão: educar!

Outro dia desses um amigo lembrou do nome da Diretora da Escola, Vilma Prado Cicereli! Todos os dias na saída, em fila de dois, em frente à escadaria, ela falava: "Unidos pelo Brasil", ao que todos tínhamos que responder em alto e bom som: "Pelo Brasil" e então éramos dispensados.

Ia a pé para a escola e, em dias de chuva forte, sofríamos para atravessar a Rua Quedas e a enxurrada que descia por ela. Lembro quando começaram a instalar a rede de esgotos na Ataliba e as valetas que abriram na calçada. À noite brincávamos de esconde-esconde nas valetas abertas (dizem que cada criança tem um anjo da guarda) e nada de grave acontecia.

Ainda tenho muito contato com o bairro e passo todas as semanas pela Ataliba. Vejo com satisfação e saudades que a casa onde morava ainda existe e continua do mesmo jeito!

Findo o quarto ano primário (1968) e era época de mudar de escola, pois o GEVIM não tinha ginásio. Era época de prestar o “vestibulinho” para entrar (na época) num dos bons colégios da Zona Norte: Gonçalves Dias.

Outra fase da vida, novos amigos, outras histórias.

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