Para não esquecer

Quando jovem, gostava de revistas que falavam dos meus ídolos da época. Com a chegada da televisão fiquei admirada, afinal, eu poderia conhecer quem só ouvia nas emissoras de rádio. Muitos domingos implorava para minha mãe deixar ir aos cinemas em que seriam feitos programas de auditório. Lembro-me de ir a um cinema na Rua Itingussu, na Vl. Ré, e era um programa da rádio Record.
 
Com o passar dos anos chegaram os festivais e com ele novos nomes da música, ou nem tão novos, mas apareceram músicas diferentes, algumas de protesto, outras fazendo a juventude da época ser mais participativa. No meu caso, que era fã de tudo que era novo, torcia muito por cantores que faziam da sua apresentação verdadeiro show. 
 
E nesse dia 9 de maio, depois de tantos anos, fiquei emocionada ao ouvir “Disparada”, com Jair Rodrigues. E me perguntei: será que ainda teremos outro Jair? Com sua irreverência, bom humor, simplicidade e mesmo quando nos festivais não era tratado com lugar de destaque, como na música “Disparada”. Os juízes do festival deu um segundo lugare todos esperavam que fosse o primeiro.
 
Na ocasião, com o bom humor que foi sua marca por toda a vida, abraçou Chico Buarque com um gesto de amigo, feliz pela vitória do companheiro. Se guardo essas lembranças é por acreditar no ser humano, aquele que é reconhecido pelas multidões, nem que seja na hora da despedida.
 
Bom ser lembrado por momentos alegres, mas muito mais valioso é ter como eu fui esta manhã, uma fã que chorou por alguém que nem sabia da minha existência. Não quero esquecer personagens como foi Jair Rodrigues, um brasileiro que aos 75 anos ainda fazia shows por muitos países. É de gente assim que tenho orgulho em ter como irmão brasileiro.