1962.
Morava com meus tios, Dito e Madalena, em Barra Bonita e estava no 2º ano do grupo escolar, numa praça com lindos jardins.
A casa do tio Dito, numa esquina da Rua 7 de Setembro, era grande e espaçosa. Tinha até porão e uma copa com uma cristaleira antiga muito bonita, que eu nunca esqueci.
Ao lado, ficava a cozinha tradicional: fogão a lenha, tachos cheios de banha pra conservar as carnes e "varais" onde ficavam pendurados os queijos, salames, chouriço, etc.
Estudávamos juntos, eu e minha prima Nilza, e, como de costume, tínhamos de levar o lanche para a hora do recreio.Nós gostávamos de torrar o pãozinho para depois fazer o sanduíche.
Naquele dia acordamos assustados pois, estávamos atrasados. Acontece que a casa estava muito sossegada e minha tia nem tinha acendido ainda o fogão a lenha.
Com pressa, não acendemos também… Tivemos uma idéia e tanto:
– Vamos torrar o pão numa canequinha com álcool.
– Boa ideia!
Colocamos um pouco de álcool na dita caneca e espetamos o pão num garfo e ficamos rodando… mas o fogo tava acabando.
Então pegamos o litro de álcool e fomos colocar um pouco mais na caneca.
Adivinhem? A eca tava feita.
Acabamos com o sossego da casa, gritos pra todo lado, fogo no meu braço, no varal, na cozinha inteira.
Meus tios tinham saído e a minha sorte foi que um vizinho pulou o muro e prontamente me jogou um cobertor.
E por causa de um pãozinho torrado e um menino quase assado, minha tia ganhou o primeiro fogão a gás e a primeira geladeira elétrica da Barra Bonita.
Detalhe: era domingo. Não tinha escola, lógico, rs.