Nas décadas de 50 e 60 os jovens eram extremamente educados com o rigor dos pais e professores. Ninguém ousava pronunciar palavras de baixo calão. <br><br>Lembro-me muito bem que naquela época trabalhava em uma financeira, na Rua Senador Paulo Egídio e o escritório era bem em frente às Arcadas do Largo São Francisco.<br><br>Eu tinha que atender a vários telefonemas e em um deles tive que soletrar com o interlocutor:<br>- “B”.<br>- “D”?<br>Então tive uma saída:<br>-“ É B… de nádegas…”<br>-“ Ah! Agora entendi!”<br><br>Porque não se podia pronunciar… Era palavrão! Era um tempo em que cultuávamos os preciosismos da nossa "Última Flor do Lácio".<br><br>Tínhamos amigos, é claro, mas tão educados quanto nós, com formação rígida e não se admitia o linguajar chulo.<br><br>Naquele tempo não existia manifestações como atualmente onde o Orgulho Gay leva milhões de manifestantes à Avenida Paulista. Os homossexuais eram poucos, ou não se manifestavam descaradamente como hoje. Quando referíamos a um deles falávamos sempre em sussurro.<br><br>Aos poucos, os hippies, um movimento da contracultura foi derrubando muitos paradigmas, como a prática do nudismo, a emancipação sexual, e enfim, falavam palavrões.<br><br>Bem, voltemos ao nosso tempo. Como não se podia falar palavrões, as partes íntimas eram ditas como "partes pudendas". Aquilo, pela associação de ideias, soava muito pior do que os velhos e bons palavrões.<br><br>Hoje o vocabulário é outro, podemos pronunciar livremente qualquer palavrão que é tão corriqueiro, mas questiono as pessoas dessa nossa geração: ainda guardamos o respeito e procuramos não dizer palavrões? Acho que preferimos dizer "partes pudendas".<br><br><br>E-mail: [email protected]