Ele ficava na Praça Ramos de Azevedo ao lado do Teatro Municipal, e no prolongamento da Cons. Críspiniano, muitas vezes adentrei nesse prédio que tinha na arquitetura de Ramos de Azevedo uma obra de arte tanto no design como no material aplicado, de espaçoso ele não tinha nada, levado em conta o tamanho do terreno, mas acho que por isso mesmo o Ramos de Azevedo teve o capricho em torná-lo uma jóia para ser admirado. A fachada tinha a marca inconfundível do arquiteto, as janelas um pouco afastadas deixavam salientes as colunas de alvenaria que pareciam querer alcançar as nuvens, o rebuscamento era evidente nos pormenores. O hall era exiguo, tendo o elevador logo a poucos passos da calçada, os lances das escadas eram suaves com plataformas em intervalos regulares, não foram poupados os marmores brancos que refletiam às frestas da luz do dia. O elevador modelo bem antigo, daqueles de porta sanfonada, era todo devassado sem nenhuma blindagem nas laterais, apenas o piso e o teto eram revestidos, os usuários assistiam toda a movimentação de embarque e desembarque, para a aflição das mulheres que na época exibiam saias bem rodadas, e para os homens uma emoção à parte. É uma pena que esse prédio não tenha sido tombado, pois ele retratava fielmente uma escola de arquitetura em que a arte estava em primeiro lugar.