Ato I: Um pequeníssimo circo instalado em um terreno baldio na periferia, meia dúzia de artistas e pouquíssimas atrações, dentre as quais um atirador de facas e a partner, uma belíssima morena. Ato II: Um comitê político, instalado em uma esquina, onde mal cabia uma mesa de ping-pong (tênis de mesa) e uma vitrola com discos da época, e aqui vale a lembrança, o ano era de 1962.
Ato III: Entra a morena do circo e ao som de “Bienvenido Granda”, cantando o bolero-mambo, total, vejo-me dançando com a dita cuja, embalado no êxtase de seu perfume inebriante, fazendo aflorar os hormônios da juventude dos meus 17 anos e dando-me o experimento de algo que jamais havia sentido. Após, veio a segunda música (“Tu Precio”), sorvida com o mesmo entusiasmo.
Terminada a sessão de dança, a diva morena desapareceu pela mesma porta de onde havia surgido. No dia seguinte, o circo havia sido desmontado. O que restou foi somente este relato, acreditem ou não. Neste coração de 70 anos, há mais um cantinho para essa paixão da adolescência. Ah! Como a minha São Paulo tem testemunhado tantas histórias.
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