Pais Paulistanos

Pleno início dos anos 50, meninos éramos, e do interior para São Paulo viemos e nossos pais se estabeleceram (comércio/residência) na chamada Parada Petrópolis, em razão da linha de bonde que até então existia.

Morávamos do lado oposto, na rua defronte ao clube Banespa, e iniciamos nossos estudos no então grupo escolar "Mário de Andrade" que ficava no Brooklin. Fizemos muitas amizades e algumas delas até hoje permanecem, embora houvesse uma grande dispersão. Ficaram marcados, os tipos de "pais" dos nossos amigos:

Godofredo Zaplotnick – pai de nosso amigo Hermann (Germano). Sempre com um sorrisinho simpático e ar bondoso. Torneiro Mecânico

Luiz Del Castilho – pai de Zefa (in memorian), Zinha, Tutico, Eduardo. Postura imponente e séria. Tinha um parque de diversões. Empresário de Diversões.

João Alfredo Ramos – pai de João, Carlos, Paulo, Luiz e Raul. Postura sempre séria, mas um ar sutil de gozador. Tinha como marca de personalidade a postura de nunca olhar para trás quando ao serviço a pé se dirigia. Industrial.

Nicola Rivellino – pai de Abilio e Roberto, sempre com "ar" de gozador- não me recordo o que fazia – parece que vivia de renda.

Valdomiro C. Ribeiro – pai de Joaquim, Eulina, M. Luiza e Sonia. Sempre com um sorriso alegre e ar bondoso. Funcionário Público.

Cândido Andreatta – pai do Candinho (in memorian) sempre bem vestido. Sério. Usava diariamente gravata borboleta. Enfermeiro.

Chico Bravo – pai de quatro meninas – sempre trazia carne para meu pai fazer churrasco. Era corintiano fanático. Açougueiro.

Enio Sá Machado – pai do Enio Jr. "almofadinha" o qual virou corintiano depois de apanhar de um fanático que o obrigou a mudar de time. Contador.

Benedicto Alves da Silva – pai do Paulão – sempre alegre e só falava em pescaria, inclusive tinha no quintal da casa um "criadouro" de minhocas em uma espécie de horta, cercado por tijolos e quando íamos pescar ele as pegava. Enfermeiro.

Dr. Ananias Pereira Porto, pai de três meninas, as quais jamais sequer nos olhavam. Não brincavam na rua. Médico.

Dr. Nogueira – pai do Nogueirinha, sempre sério. Quando não ia trabalhar ficava no Empório bebendo o dia inteiro, o que ele chamava de "diabinho", Coca com rum, e petiscando e depois já bem "alto" ia dormir no quarto dos fundos. Chamávamo-lo, maldosamente, entre nós, sem ele saber, de Dr. "Fogueira". Juíz.

Todos já foram para a eternidade e só restaram as imagens em nossas memórias e a saudade dos pais dos tempos de outrora.

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