Este meu relato é sobre três amigos de infância. Nascemos na Rua da Consolação, em São Paulo. Desde menino, os três eram diferenciados dos demais amigos. Os pais deles tinham um pouco de dinheiro; eles foram crescendo dentro de um berço de ouro, um deles tinha uma fábrica de calças rancheiro (jeans). Todos os três viviam uma vida de milionários.
Nos nossos jogos na várzea, do nosso time da Consolação, em 1953, eles iam em carros próprios para os campos de jogos, e nós íamos de ônibus, ou caminhão alugado (na época era normal o time alugar um caminhão para levar os jogadores).
O tempo passou, todos casaram-se tiveram filhos, dois dos amigos tornaram diretores de bancos, o outro continuou com a fábrica dos pais. Depois de muitos anos sem vê-los, fiquei sabendo que os dois amigos diretores de bancos foram presos por ter dado um grande desfalque nos bancos.
Estavam acostumados com a vida de milionários e continuaram a comprar apartamentos nos Jardins, até que perderam tudo, o banco tirou todos os patrimônios das famílias; eles já eram viciados em bebidas, com a derrocada da vida social acabaram morrendo de tanto beber, não aceitaram a vida normal de nós trabalhadores.
Desde criança tiveram tudo do bom e do melhor, não souberam aproveitar o dinheiro e a educação dos falsos milionários, acharam que o dinheiro dos pais nunca acabaria e depois só fizeram besteiras, até a morte.
O outro dono da fábrica de calças rancheiro foi assassinado no norte do país por traficantes de drogas, enfim, esses foram meus amigos de infância, que tinham tudo para ter sucesso na vida, mas o maldito dinheiro não leva desaforo para casa.
A minha turma da Rua Consolação tem poucos companheiros vivos. Muitos foram honestos e morreram na pobreza, enfim, a vida continua.