Os Pinheiros de Natal

Antes de existirem as árvores montadas artificiais todos compravam pinheirinhos naturais para montarem suas árvores de natal. Meu avô Manuel sempre tinha na chácara um canteiro onde fazia mudas para essas árvores tão procuradas no Natal. Vinham pessoas de longe buscar para enfeitar a natividade de Deus.

 

Eram tantos os pedidos que por vezes não se vencia a demanda, existia uma empresa de jardinagem situada em Monções, na Avenida Santo Amaro, que bem antes do Natal já arrematava grande parte da produção.

 

Meu avô também enviava para as feiras livres e quem comercializa era minha avó, que tinha o tino do comércio e vendia todos os pinheirinhos.

 

Claro que depois desse trabalho todo se reunia toda a família para montar esse símbolo natalino e sempre acrescentava alguns enfeites a mais em cada ano e era toda colorida de pendentes feitos de uma película de vidro bem fininho que às vezes somente de tocar elas quebravam. Em volta da árvore natural, colocada em uma lata grande com raiz, colocavam os presentes que seriam a alegria de muitos, embora não se tinha tantos brinquedos e jogos diversos como na atualidade e nossa alegria era ganhar uma “roupa nova”.

 

O Papai Noel, que sempre nos enganava no calar da noite, errava o pedido que ele pegava nos sapatos deixados na janela na véspera. Uma vez ele trouxe um carrinho reluzente, com luzes e sirene, mas não foi para mim, foi para um adulto, e que tinha a novidade de ser controlado de longe por uma caixinha que um dia disseram chamar-se controle remoto, nem pus a mão, não deixaram!

 

Um dia o Papai Noel, depois de tanto errar, trouxe uma bola de capotão número 5, estava lá debaixo da árvore um embrulho que ele deixou com o meu nome, mal sabia que meu Papai Noel estava bem perto de mim e sentia-se feliz pela minha felicidade, ele tinha o nome de Papai Ernesto, e até hoje sinto sua ausência!

 

Feliz Natal a todos os homens e mulheres de boa vontade em nome do menino Jesus na manjedoura!