Os painéis do nosso Colégio Costa Manso

Ontem completei 61 anos.

Estive na reunião da comissão organizadora dos 50 Anos do Costa Manso.
Escola pública fundada em janeiro de 1957 e que a princípio funcionava no prédio da agora E.E. Aristides de Castro, rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr, esquina com a rua Urussuí. Atendia somente a alunos do Ginásio, como era chamado na época o Ensino Fundamental II (de 5ª a 8ª série). Em 1962 foi criado o Colegial, hoje conhecido como Ensino Médio.

Depois, em 1964 o Costa Manso foi para a rua João Cachoeira 960, prédio novíssimo e construído ainda no governo do Carvalho Pinto, porém inaugurado pelo Governador Ademar de Barros. No livro Itaim- Bibi, Coleção História dos Bairros de São Paulo – Arquivo Histórico Municipal tem-se a foto do helicóptero do governador pousado no pátio para estacionamento dos caminhões do Mappin. Procurem o livro na Biblioteca Mun. Anne Frank-rua Cojuba, 45-Itaim Bibi.

Nesse ano, vindo do Ginásio Meninópolis/Brooklin, iniciei o chamado científico, portanto compondo a primeira turma do novo prédio da rua João Cachoeira em frente ao depósito do Mappin, aonde hoje temos o Hipermercado Extra-Itaim.

Agitados, belos e dourados anos aqueles que se sucederam.
Íamos gritar contra o poder lá na Praça da República, na Praça Roosevelt e na rua Maria Antônia, correndo na frente dos cavalariços da Força Pública, soltando bolas de gude.

Era um misto de farra juvenil, posicionamento político e necessidade de estar com outros jovens, e revolucionários professores universitários.

Mesmo assim sentíamos livres. Entoávamos canções e berrávamos palavras contra a ditadura recém instalada, contra a direita reacionária e provocávamos os coitados da Guarda Civil, até então acostumada a educadamente manter a ordem pública.

A Guarda Civil tinha um uniforme garboso, todo azul marinho e ultra bem passado. Usavam botinas super engraxadas, sempre brilhantes. Os quepes eram azuis, às vezes brancos e portavam polainas, punhos e capacete, (que me pareciam ser de papelão ou couro reforçado), todo branco. Um cinto largo e uma travessa peitoral de couro lustrado.
Em dias ou locais de gala, portavam uma espada prateada, com punho dourado e bainha azul e dourado.

Quando os estudantes encontravam a Guarda Civil, gritavam: ”Entre nós, estão os teus filhos. Cuidado, vão feri-los".

Era um constrangimento seguido de imediata ordem do superior: dispersar todos.

Bem, mas estava falando de ontem, dia 28 de fevereiro de 2007, lá na sala da coordenação do Costa Manso, (pena que não foi na sala prof Athos).

Conheci a artista plástica Mariana Pabst Martins, ex-aluna, turma de 1972 e criadora de pelo menos quatro painéis dos inúmeros elaborados e ainda mantidos no pátio e corredor da escola cinqüentenária.
Atualmente a Mariana Martins mantêm atelier em Pinheiros/SP – http://www.choquecultural.com.br/

Isso mesmo, a jovem Mariana auxiliada e junto com outros alunos da época é que durante os intervalos e nas aulas do prof. Falcão (desenho) iam pintando os famosos painéis do Costa Manso, obras que segunda a própria demoravam alguns meses para terminar.

Os dela são os únicos dois painéis assinados pela autora – Marianna P. Martins 1972, Marianna P. Martins,1973 – Pelo menos foi o que notei.

Porém observa-se que outros dois não estão assinados, mas em seqüência e na mesma lateral do páteo da lanchonete.
Seguem a mesma linha nos desenhos.

Todos os painéis distribuídos pelo estabelecimento de ensino se tornaram "marca registrada", identificadora da qualidade da nossa querida escola do Itaim Bibi, instalada na margem direita do Córrego do Sapateiro, atual av. Pres. Juscelino Kubitschek. Resistiram mais de 30 anos.

Agora, está nos planos da comissão dos festejos dos 50 anos do Costa Manso restaurá-los com uso de técnica moderna e adequada para a preservação dos mesmos. Pretende-se também que os atuais artistas e alunos do Costa Manso, criem e pintem um grande painel, o "PAINEL dos 50 ANOS".

Ex-alunos, contemporâneos, simples moradores, artistas consagrados, empresários, professores, comerciantes, todos com espírito e vontade de dar o devido valor ao resgate e preservação das memórias e história do Itaim Bibi, devem ajudar, apoiar, doar material e idéias.

Entrem em contato com a comissão: www.costa50anos.com.br/costa Escrevam para a coordenação: [email protected]

e.t.: Pessoal. Voltando aos painéis.

Para minha agradável surpresa, fiquei sabendo que a Mariana Pabst Martins é nada mais, nada menos que a filha do renomado artista, – Aldemir Martins -.

ALDEMIR MARTINS – (Ingazeiras, 8 de novembro de 1922 — São Paulo, 6 de fevereiro de 2006) foi um artista plástico brasileiro, ilustrador e pintor e escultor autodidata, de grande renome e fama no país e exterior. No Ceará, participou do Grupo Artys e da Sociedade Cearense de Artistas Plásticos (SCAP), cuja atividade estava voltada para a renovação modernista no estado, juntamente com Antonio Bandeira, Inimá de Paula, Mário Barata, Barbosa Leite, João Siqueira, Luís Delfino, Raimundo Campos e Zenon Barreto entre outros. Em 1946, mudou-se para São Paulo. Sempre se dedicou a temas relativos ao Nordeste brasileiro que, em geral, foram tratados de maneira estilizada e lírica. Em 1950, fez o Curso de Gravuras do MASP. Nessa época, sua produção também retratava o Nordeste, porém de forma severa e dramática. Fez desenhos em nanquim que serviram para estampar objetos e tecidos de decoração.

MANOEL DA COSTA MANSO, filho de Eduardo da Costa Manso e D. Ana Isabel Marcondes da Costa Manso, nasceu a 23 de agosto de 1876, em Pindamonhangaba, província de São Paulo. Foram seus avós paternos Manoel da Costa Manso e sua mulher, D. Ana Antônia de Toledo, e maternos Alexandre Marcondes do Amaral e sua mulher, D. Carolina Leopolda Amélia Correia de Melo. Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde colou grau em Ciências Jurídicas em 1895, bacharelando-se em Ciências Sociais no mesmo ano. Foi brilhante em seu curso acadêmico.

e-mail do autor: [email protected]