Os hotéis

Em 1964 a ditadura imperava no Brasil, era uma época muito perigosa no trabalho, nas ruas, nos bares, ninguém comentava nada a respeito dos militares, medo de ser confundido com terroristas. Mas uma verdade tem que ser dita, fui muito boêmio na época da ditadura, nunca tive problemas com a polícia, se o cidadão andava com todos os documentos, era honesto e trabalhava não tinha problema com a lei; na época não existia motel, estava aparecendo alguns drive-in, mas tinha que ter carro e ficava muito difícil para os rapazes da época, quase nenhum rapaz tinha carro. Íamos, nos fins de semana, para a Boca do luxo, etc., de táxi, ônibus ou bonde.

Nos salões de baile, quando a gente ganhava uma garota, no fim do baile elas não queriam ir para o hotel, tinham medo porque tinha que fazer uma ficha na portaria, essa ficha ia para o Dops (era a delegacia da repressão na época). Era muito difícil para um rapaz solteiro ter uma relação sexual com uma moça, que não fosse prostituta, o negócio era recorrer à famosa Boca do luxo. Mas, tinha ótimos hotéis na cidade: lembro-me da Rua Sebastião Pereira, tinha o Hotel London, era um preço razoável. No Paraíso tínhamos o Imperador e o Itapoan (este era o mais barato, só que nunca tinha água nos banheiros).

Na Rua Frei Caneca tinha um hotel também, era um preço razoável, mas nunca tinha vagas. Tinha também vários hotéis na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, todos eram de curta permanência. Na Av. Rebouças x Al. Jaú tinha, e ainda tem, um hotel que sempre tem vagas. Para casal era o nosso quebra galho. Mas, mesmo com as dificuldades de conseguir levar uma moça para um hotel, foi uma época muito boa.

Depois de tanto sofrimento, em 1966, consegui com dois amigos alugar um apto., na Al. Barão Limeira, no edifício Ohio, em frente ao jornal “As Folhas”, aí sim acabou o meu sofrimento com os hotéis, ficamos muito tempo no apto., até que depois de anos nós fomos expulsos do apto. (por fazer muito barulho de madrugada), o proprietário não quis renovar o contrato do aluguel e fomos expulsos da Boca do lixo, acreditem se quiserem.

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