Os crimes de antigamente…

Quase um bebê (com três anos e meio) comuniquei a minha mãe que já sabia ler. A descoberta foi uma surpresa.

Por problemas de saúde de minha mãe (uma terrível descalcificação manifestada durante a gestação) fomos morar junto com meus tios numa casa comprada por meu pai e meu tio Emílio (cunhado de meus pais e casado com tia Ofélia, irmã de minha mãe). Na época morávamos na Rua das Camélias, em Mirandópolis.

Meu tio, que era diretor do Hospital Municipal, costumava comprar semanalmente as revistas Manchete e Cruzeiro, das quais, por já saber ler, eu era assíduo leitor. Além de acompanhar as aventuras do "Amigo da Onça" (do ilustrador Péricles), adorava ler as crônicas do Stanislaw Ponte Preta, um famoso cronista carioca, que com seus textos fazia uma maravilhosa crítica social ao temperamento e forma de viver dos brasileiros. Sérgio Porto foi também o criador das "Certinhas do Lalau", onde reverenciava a beleza da mulher brasileira através de vedetes de destaque nacional. As ilustrações Alceu Penna, com sua coluna "As Garotas do Alceu".

Acompanhei, também, muitos concursos de Miss Brasil (o famoso desfile que premiou Marta Rocha, Stäel Maria Abelha, Terezinha Morango, Adalgiza Colombo, Ieda Maria Vargas e outras), para não falar dos concursos das famosas fantasias de carnaval dos bailes do Municipal do Rio de Janeiro… Mas em contrapartida, lia também as notas policiais, notícias que costumavam abalar o cenário nacional. As histórias de Dana de Tefé, da Fera da Penha, Ronaldinho playboy e a morte de Aida Cury, a execução de Caril Chessman, Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha brasileiro, Tenório Cavalcanti e sua metralhadora Lurdinha, a morte de Ângela Diniz e outros fatos acontecidos ao longo dos anos 50 e 60.

Mas um dos ocorridos policias que mais me impressionou foi o sequestro de uma criança de 4 anos, feito por um mendigo que manteve o garoto durante alguns dias em um poço, de onde foi resgatado, para a alegria de seus pais. Este fato ocorreu no bairro onde morava (Mirandópolis), mais precisamente na Praça Santa Rita, onde hoje fica a Paróquia de Santa Rita de Cássia, fundada pelo Cônego Olavo.

O menino foi resgatado são e salvo para a alegria dos pais. Passou quase uma semana alimentando-se de bananas que eram levadas pelo mendigo-sequestrador.

O caso foi um fato tenso, acompanhado pelos jornais e revistas e meios de comunicação, como emissoras de rádio e televisão da época.

O final feliz não amenizou a importância da notícia, me lembro que me desloquei (ainda muito menino, com 7 ou 8 anos) para acompanhar a entrevista, dada em via pública pelos pais do garoto.

Antigamente, fatos como estes acima citados comoviam o país, mas eram casos raros e isolados.

Hoje a banalização da vida e da criminalização já não causam uma comoção tão grande. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, crimes hediondos são aceitos com a maior tranquilidade e cometidos com uma frequência tal que passam a ser noticiados como comuns até pela imprensa.

Por estes e outros motivos sou saudoso da época da minha infância. As pessoas tinham outra educação, outros conceitos morais.

Comportamentos que, ao que me parece, não tornarão mais a existir. Que pena!!!

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