Quem viveu a época, deve se lembrar que circulavam por uma grande malha em toda São Paulo, vários tipos de bondes como por exemplo:
-As linhas que se limitavam a atender regiões não muito populosas, eram veículos pequenos de 2 eixos, abertos, que nem tinham proteção para os "motorneiros" que, quando chovia eram obrigados a vestir capas de chuva.
-As regiões mais populosas como Sant'Anna (era como se escrevia), Vila Mariana, Praça da Árvore, Bosque da Saúde, Fábrica (Ipiranga)e outros, eram servidas com bondes já um pouco maiores, também abertos, que tinham então, 2 truques com 4 rodas, e em determinados horários puxavam reboques para poder transportar mais passageiros.
-Para a região de Santo Amaro, o bonde era fechado apelidado de "Bonde Camarão" e tinham estas características por transitar pela avenida Ibirapuera em trilhos dispostos e parecidos com uma linha férrea, a partir do Instituto Biológico até Socorro, via Largo 13.
Era uma viagem fascinante pois a impressão era igual a de um passeio de trem.
-Posteriormente, para atender uma clientela um pouco mais sofisticada, surgiu "Gilda", um veículo mais bonito, fechado, que fazia a linha que mais parecia um circular pois fazia o trajeto da Praça João Mendes, até a Praça do Correio, passando pelas rua Vergueiro, Av. Paulista, Av. Angélica e Av. São João.
Nos bondes abertos, os condutores (cobradores) algumas vezes tinham que sair correndo atrás de quem não pagava, e o mais impressionante era como ele conseguia identificar quem tinha pago e quem não, mesmo nos horários em que passageiros se apinhavam nos estribos.
Posso garantir que era muito bom andar nos estribos "chocando" o bonde.
Carlos Ogasawara