Os barbeiros de São Paulo

Em 1973 comecei a cortar o cabelo na barbearia do Zé e do Elmo, que aliás, não gostam de ser chamados de barbeiros, preferem o título de cirurgião capilar.

Na época trabalhava na Anderson Clayton e todos da minha seção eram seus clientes. Eles começaram na Pompéia, à Rua Doutor Miranda de Azevedo quase esquina com a Coriolano, onde aliás localiza-se o novo salão.

São excelentes profissionais e inovadores, já naquela época faziam o corte a fogo, com navalha. E o resultado era sempre o melhor. Pela qualidade do serviço, tornaram-se famosos em pouco tempo, e dai em diante só agendando, se não sem chance de ser atendido.

Mas além da satisfação com o corte o que valia era o momento de descontração, do encontro com os amigos e muita conversa fiada. Os dois eram muito expansivos e gozadores, principalmente o Zé, e assim nos brindavam com momentos agradáveis. Tanto assim, que chegávamos muitas vezes bem antes do horário, para ouvir as piadas e gozações da semana.

Em 1981 mudei-me para Brasília, mas pelo menos uma vez a cada três meses voltava a São Paulo para compromissos profissionais e aproveitava para fazer o corte. Isso durou mais dez anos.

Hoje moro em Curitiba, mas sempre que posso ainda passo por lá, para pelo menos cumprimentá-los, e esporadicamente aparar alguns fios, já que meus cabelos tornaram-se rebeldes e saíram em debandada.

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