Odiosa Realidade (Modesto Laruccia)

Gostei do puxão de orelhas do Laruccia. Será que merecemos? Quais são as nossas responsabilidades? Laruccia, nós nascemos no tempo considerado pela mídia “Anos Dourados”. Parece que naquela época até o tempo andava devagar. Tínhamos tempo para quase tudo. A folhinha ficava pendurada atrás da porta que nem ligávamos em que dia estávamos. Bastava um relógio no pulso para sabermos a hora e estava tudo resolvido. Andávamos na velocidade dos bondes. Hoje o relógio já não funciona mais. Necessitamos de um celular que coloca o mundo aos nossos pés. Faz de tudo e diz tudo. Como dizia meu antigo gerente na época: Marca até o dia da nossa morte (risos). Hora de levantar, do almoço, do remédio, do trabalho, dos compromissos, dos jogos e vai por ai a fora. 
 
– Filho quando é que você irá apresentar a sua namorada para nós? 
– Pai você é careta!
– Mas filho e essas baladas não têm garotas bonitas que vocês curtem…
– É bem por aí pai, é claro que curtimos.
– Mas e dai, não dá namoro? 
– Olha pai, acho que o máximo que conseguimos são uns vinte minutos junto, mesmo sendo a garota mais bonita da noite. Logo ela está com outro e eu com outra, é o que impera nas noitadas pai. 
 
Laruccia, a medicina está tão adiantada que nem os médicos conseguem acompanhar a sua evolução. Até as bactérias, onde as pesquisas estão analisando o tipo um, elas já estão transformadas tipo quatro. 
 
Laruccia, voltando à realidade do seu texto evidentemente iremos colocar uma parte dessa culpa no governo, certo! E ai Laruccia será que somos culpados? Eu nem votei na Dilma e nem no Lula. Será em quem eu votei não teria sido melhor ou pior? Laruccia, em quem votar se são sempre os mesmos? 
 
Dias atrás nossos vereadores (onze deles) rejeitaram a lei sobre a maioridade penal. A mídia como sempre malharam todos eles e divulgaram os nomes para que na próxima eleição não votarmos neles. Até lá já nos esquecemos de todos e apenas uma meia dúzia é que não votarão neles. 
 
A minha contribuição atual é minha ida diariamente na igreja rezar. Faço lá meus agradecimentos e os meus pedidos; inicialmente pela família e as pessoas que trabalham lá em casa e os amigos, e coloco o rojão maior na mão do Pai para melhorar nós, os seres humanos (ou desumanos…).
 
Laruccia nos meus quase 70 anos não é muito pouco? Laruccia será que só nós resta dizer – Socorro, “Mayday Mayday”, “Help”, SOS, Pai do céu…
 
Essa música foi proibida pela ditadura militar na época. Depois de liberada saindo como marchinha de Carnaval:
“Engole ele,
Engole ele paletó,
Engole ele, paletó,
Que o dono dele era maior…
(bis)
 
Paletó de gente pobre,
Não tem tamanho nem cor,
No verão é guarda-chuva,
No inverno é cobertor.
 
Gente rica, quando morre,
Papai do céu que levou,
Gente pobre quando morre,
Foi bebida que matou.”