Nos anos 1950 a cidade de São Paulo era provida de muitos banheiros públicos no centro da cidade. O principal deles era na galeria Prestes Maia. Havia sanitário tanto para homens com para mulheres. Os banheiros eram bem cuidados. Tinha sempre funcionários tomando conta da porta com papel higiênico e a caixinha para gorjetas. No banheiro feminino quem tomava conta era a senhora mãe do atleta campeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva, que a pedido de Moraes Sarmento o prefeito Faria Lima a tirou de lá. No banheiro dos homens, tinha sempre aquele cheiro de creolina, que dava um ar de desinfecção. Era um cheiro suportável, mas não era qualquer um que ficava por muito tempo lá. Tinha gente que nem aquela balangada no bilau dava, para sair mais cedo. Quem suportava bem eram aqueles que fingiam que estavam mijando e ficavam esticando o seu e olhando o do que mijava ao lado. Quando perceberam o que estava acontecendo trocaram a creolina pelo lisoforme bruto. Era insuportável agüentar o cheiro. Eu muitas vezes mal entrei já tinha lagrimas nos olhos. Tinha gente que chegava mijando nas calças e voltava pra traz. Até perdia a vontade.
Atravessando o Vale tinha o banheiro perto da escada que dava acesso a lateral do teatro municipal. Ali era freqüentado por indigentes, que moravam na rua. Muitos dormiam ali mesmo na grama. Lavavam suas roupas no chafariz do jardim. Mais a esquerda tinha o banheiro do largo do Paissandu. Ali já era mais limpo. Era freqüentado pelos usuários que tomavam ônibus para a zona Oeste. Outro banheiro que me lembro era na Praça de Sé perto do prédio da caixa econômica. Era um muquifo, freqüentado pela malandragem. Homossexuais saindo do Santa Helena complementavam o que tinham começado dentro do cinema. Quando a gente estava fora do raio de ação dos banheiros públicos tinha que apelar para os bares ou restaurantes. Os donos ou gerentes não gostavam muito. Mas era o jeito de ficar mais leve. Os banheiros estavam sempre trancados, tinha que pegar a chave no caixa. Além da chave tinha um cabo de vassoura de uns 50 centímetros para segurar, qualquer um que estava nas mesas sabia para onde você ia se dirigir. Depois de fazer suas necessidades tinha algum engraçadinho em grupinho que soltava: Varreu o banheiro?
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