O velho Guariba

O Sr. Guariba era um especialista em polimento de automóveis nos anos 50. Ele era morador do Bexiga e montou uma oficina no Bairro de Santa Cecília em uma travessa da Av. São João, bem perto da Alameda Nothamann , no número 97 da Rua Gen. Julio Marcondes Salgado.

Quando o conheci, nessa oficina, ele fazia o serviço de polimentos de carros. E com o tempo ele foi aperfeiçoando esse trabalho tão bem, que ficou muito conhecido na cidade de São Paulo. No mesmo prédio ele alugou um mezanino na parte de cima do escritório para o Carlos que era tapeceiro. E a parte da mecânica para o Ary . Os sobrinhos do Guariba que era um senhor de cor e um vigoroso lutador. Fazia um serviço tão bom que quando o carro estava pronto saia como semi novo.

Lembro que pelo menos umas três vezes nos anos 50 fizemos esse trabalho no nosso Chevrolet 1951. Eles começavam removendo todos os bancos e laterais das portas, o teto que era normalmente de pano aveludado e que com a poluição da cidade e a fumaça ficava enegrecido. Aí o carro ia para o elevador e era lavado por baixo e pulverizado com óleo diluído com querosene. Aí depois disso, era lavado por dentro sempre cuidando que o painel não fosse atingido. Depois disso começava o polimento e os bancos e o teto depois de lavados eram remontados, assim como as laterais das portas.

Depois do polimento o carro era encerado e aí ficava como um carro quase novo. Quase todos os revendedores de carros usados da Alameda Barão de Limeira eram fregueses frequentes do Sr. Guariba e no fim ele ficou tão popular que em São Paulo o termo guaribada ficou bastante vulgar entre os compradores e vendedores de carros usados. Sempre que se via um carro brilhando como novo, esse termo era sempre lembrado "este carro foi guaribado". Os anos foram passando e o velho Guariba foi envelhecendo ao ponto de ter que parar porque era um fumante inveterado e a morte o fez descansar.

Aí os sobrinhos que não eram muito do batente, venderam a oficina para o Carlos, o tapeceiro, e o Ary, o mecânico, que continuaram com o negócio. O Carlos no fim acabou se tornando um pintor de mão cheia e continuaram guaribando os carros através dos anos. Em uma das vezes que fui ao Brasil soube que o Carlos, se não me engano no ao de 2007 ou 2008, não lembro bem, deu um fim ao termo Guaribada, pois fechou a oficina e passou o ponto.

Cheguei a falar com ele por telefone, que consegui por intermédio do meu saudoso amigo corintiano de quase 60 anos, o Osvaldo Tosini, que era seu fornecedor de massas e artigos de polimento, proprietário dos bem conhecidos Produtos Perola. O Carlos ainda lembrou de uma coleção de Poesias que eu lhe vendi antes de deixar São Paulo nos anos 60. Com certeza, é quase provável que algum dos leitores deste site se lembre desse termo ou tenham tido seu carro guaribado nessa excelente oficina dos meus velhos tempos.

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