Anita, a moça que trabalhava em casa, ia sempre comprar carne no açougue da Avenida Senador Queirós. Acredito que para dar um pouco de descanso para minha mãe ela levava a Marta, minha irmã de três anos.
Numa manhã, enquanto Anita escolhia a carne e flertava um pouquinho com o açougueiro, a pequena se soltou de suas mãos e foi saindo do estabelecimento sem que ninguém percebesse. Quando a Anita se deu conta já era tarde demais! Ela e todos que estavam no açougue entraram em desespero. Cada um saiu para um lado à procura da pequena. Depois de um tempo Anita, acompanhada por algumas pessoas voltou para casa, sem minha irmã. Acho que dá para imaginar a loucura que foi!
Algum vizinho nosso teve a iniciativa de ir até a Rádio Bandeirantes, na Rua Paula Souza, pedir que anunciassem o sumiço da menina de três anos, linda, de nome Marta. E, então, de tempo em tempo a rádio anunciava o sumiço.
Logo a nossa rua ficou repleta de policiais femininas que de mãos dadas fizeram um cordão de isolamento entre a Rua Paula Souza e Avenida Senador Queirós. Ninguém e nenhum carro por ali passavam sem ser revistado. Impressionante!
Enquanto isso, no prédio vizinho do açougue, uma senhora ao abrir a porta do seu apartamento no terceiro andar, para jogar o lixo, deu de cara com uma criança dormindo nos degraus da escada. Com muito jeito ela pegou a criança e desceu até o térreo. Nem precisou contar a ninguém o que tinha acontecido, pois ao sair do prédio pôde ver todo o movimento das pessoas e o cordão de isolamento da polícia feminina. E nos braços de uma policial a pequena e linda Marta, ainda dormindo, foi entregue em casa para a minha mãe Tina.
A polícia feminina concluiu que a pequena, com apenas três anos, possivelmente, alcançou todos os degraus engatinhando. E a partir desse dia a minha irmã só podia sair com o meu pai ou com minha mãe.
Assim mesmo por duas ou três vezes a pequena e levada Marta se desvencilhou, também, das mãos do meu pai no Mercado da Cantareira. Mas ali praticamente todos conheciam nossa família e, então, era só caminhar um pouco entre as bancas do mercado para encontrar a minha irmã toda sorridente brincando no colo de algum policial!
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