Em meados dos anos 60, todo domingo bem cedinho, o tio buscava nossa família, lá no bairro de Santana, para o sítio dele em Itapecerica da Serra, no seu enorme Chevrolet.
Meu pai adorava ajudá-lo nas investidas do plantio de flores, especialmente roseiras e mudas de árvores frutíferas.
Compravam mudas no meio caminho, rações para galinhas, peixes, abasteciam o carro e em uma padaria um enorme pão doce para o café da tarde.
Francamente, não achava a menor graça. Era uma adolescente com destino a um retiro.
Lembro que ficava em uma sombra envolta do lago e a manhã era interminável.
Levava livro, mas as pragas dos insetos não me davam sossego.
Quando investia nas caminhadas, à procura de frutas, era um desastre, o que estava maduro, ou era azedo ou bichado. Só mesmo o limão cravo para a limonada.
A bomba do poço de água era um problema, sempre quebrada e eles levaram muito tempo no seu reparo. Era o dia de trabalho do caseiro mais puxado.
O fogão a lenha é que animava, porque os quitutes da tia eram maravilhosos, levava pertences para feijoada, o arroz, a couve colhida e cortada na hora. Depois do almoço ela servia chá de erva cidreira, de perfume inesquecível. Era o momento de satisfação, conversa e relaxamento geral.
Depois, no final da tarde, retornávamos para a cidade, porta-malas cheio, rodovia calma, poucos carros, como não se vê mais!