Foi numa reunião de estudantes que a conheci.
Tinha sido convidado por uma amiga em comum para fazer parte de um grupo de teatro.
Eu, estudante de engenharia. Ela, cursando o magistério do colégio BVM no Brooklin.
Não foi amor à primeira vista nem de encantamento para ambos.
Eu estudava o ambiente feminino. Ela totalmente dedicada ao planejamento da peça “O Rapto das Cebolinhas”, de Maria Clara Machado:
Vovó Felícia: “Quem as possuir é feliz para toda vida. Elas podem trazer para cada um maravilhosos sentimentos como a coragem (amarelo), a alegria (azul), o respeito (verde) e o amor (vermelho)…”
Ela perfeccionista, inteligente e muito bonita, e eu um chato na melhor definição e além de tudo magro.
A atração parte geralmente do externo e gradativamente busca o interior.
Do estético para o caráter e a alma para encontrar o verdadeiro amor.
No meu caso, se deu o contrário, foi a atitude que a encantou, tornando bonito o feio.
A nossa declaração de amor se deu em novembro de um ano marcante: 1968.
Num banco de jardim em praça pública de Santo Amaro, rodeado de árvores, pássaros e flores.
Foi o pedido mais desejado e sincero da minha vida.
Nada possuíamos. Ambos atravessando fases difíceis, mas muito determinados a construir com amor e coragem um lar.
Estou aqui a agradecer a Deus, pela esposa que me reservou, os filhos que nasceram deste amor, da união das famílias e os amigos que permanecem até hoje.
Momentos difíceis foram enfrentados com sabedoria e paciência, além das muitas alegrias que deram sentido à nossa vida.
Fico agora pensando o que nos aguarda o futuro: filhos formados, cada um buscando seu próprio destino e a felicidade. Nos netos, ora netos, só servem para nos sentirmos imortais e gratificados.
Tudo partiu de um olhar, uma palavra um gesto e muito carinho.
Uma Anna de Recife e um Johannes da Holanda escreveram e viveram a peça da vida deles em São Paulo, romântica e inesperada, chamada “O rapto do amor”.