O que vi de Garrincha no Corinthians

"Meus amigos, como já escrevi uma vez, minha maior decepção foi não ter visto o Garrincha jogar em sua fase áurea. E principalmente na decisão do Carioca de 1962, quando foi a última grande exibição do Mané. Este jogo passou na TV para São Paulo e meu colega também de 11 anos de idade na época, não me convidou para assistir ao jogo. Como vocês podem ver, ainda estou traumatizado, e já se vão 51 anos.<br><br>Mas em 1966, o Jornal da Tarde de São Paulo fez um furo de reportagem com sua edição vespertina, trazendo na manchete principal a contratação do Mane Garrincha. O JT foi concebido para ser distribuído ás 14h, mas por problema de distribuição, viu-se que seria impossível manter este horário. E a partir das 11h da manhã, naquela época, já se via o JT nas bancas e foi aí o episódio do furo de reportagem.<br><br>A estreia<br><br>Mane chegou ao Corinthians com 32 anos e ia estrear contra o Vasco no Pacaembu, em 02 de março de 1966, quarta-feira. Nesta época eu trabalhava de officeboy na Avenida Casper Líbero em São Paulo e vi todo o pessoal do escritório se mobilizando para ir ao jogo. Eu? Só tinha o dinheiro da passagem para ir para casa. Gente, foi muito triste não ter ido à estreia do Mané. Parecia que o mundo inteiro estava indo para o Pacaembu, menos eu. Já tinha 15 anos de idade, mas dinheiro só no final do mês. Mas desta vez até que foi bom não ter ido, o Vasco enfiou três x zero, com gols de Maranhão e Célio dois. Este Célio foi outro que veio muito tarde para o Corinthians.<br><br>Depois disso, em 10 de março de 1966, o Corinthians foi ao Maracanã jogar contra o Botafogo e levou de cinco x um. Gols de Bianchini dois, Jairzinho dois, Parada e Rivelino descontou.<br><br>Mas como tudo tem um limite, o Corinthians iria jogar contra o São Paulo dia 19 de março de 1966. Desta vez eu fui. Neste jogo eu não me lembro quem estava marcando o Garrincha pelo São Paulo, se era o Renato ou o Tenente. Aos 34 do primeiro tempo o Mane desceu pela direita levando seu marcador e sem ângulo, da linha de fundo, bateu de três dedos e a bola fez a curva e entrou. Lembro-me que depois ouvi a narração de Pedro Luiz falando: Gol tipo Copa do Mundo de Mane Garrincha. O Pedro Luis tinha a característica singular de observar todo o panorama da jogada e tecnicamente descrevê-la com perfeição e dicção perfeita. No segundo tempo Tales faria dois x zero.<br><br>Em outro jogo vi o Mane perder um pênalti contra o Palmeiras no último minuto de jogo, com o goleiro Valdir defendendo a penalidade. Neste jogo Fiori narrou, para minha tristeza, assim: – “Defendeeeeeuu Vaaaaldir.”<br> Este jogo foi dois x um para o Palmeiras, gols de Rinaldo, Flavio e Servílio.<br><br>Mas Mane Garrincha até que estava jogando relativamente bem no Corinthians. Por acaso vi recentemente no Canal cem o jogo final, última rodada, do Rio São Paulo de 1966, Corinthians x Santos. Neste jogo o Mane driblava toda hora o lateral do Santos. E em um destes dribles o lateral fez pênalti no Garrincha. E não é que o Flávio desperdiçou a penalidade? O Santos segurou o empate com nove jogadores em campo. Com isso tivemos quatro campeões do Rio São Paulo, Corinthians, Vasco, Botafogo e Santos. Por causa da Copa do Mundo não havia datas para a disputa do campeão único.<br><br>Foram 13 partidas com a camisa do Timão (cinco vitórias, dois empates, seis derrotas) e apenas dois gols marcados. Uma coisa me deixava triste. O Tales, atacante do Corinthians boicotava o Mane, não passava uma bola sequer. Porque ganhava menos…<br><br><br>E-mail: [email protected]