O problema do cinema

Tempos atrás, quando ainda em tenra idade, 13 anos, sonhava assistir um filme proibido a menores de 18 anos. Mas tal empreita era impossível dada a rigidez da censura, a irredutibilidade dos porteiros e dos tempos, 1968 não eram tempos assim tão liberais.
Mas disposto a realizar meu sonho, eu e o Jerson (com J) amigo da adolescência, resolvemos tentar convencer o porteiro do Cine Clímax ali na Aclimação, a cometer o delito de deixar-nos assistir o tão sonhado filme, após muita conversa e mentiras de todos os tamanhos, conseguimos dobrar a rigidez do então porteiro.
Ficou assim combinado, os fiscais da DDP (Órgão que controlava as diversões públicas), iriam passar 15 minutos após o início da seção e logo após a saída dos censores nós entraríamos.
Tudo certo tudo combinado, tomei banho, passei uma colônia Rastro e lá fomos à seção.
A película já havia começado, mas não nos importamos, afinal queríamos ver o sexo em grupo, aquele monte de mulheres peladas, e tudo mais, o título do filme "Momentos Eróticos" com Jean Sorel (um clone do Alain Delon) e Catherine Spaak uma lindinha dos anos 60.
O filme vai indo, vai seguindo e nada de sexo, nada de gente pelada, nada, 2 horas e 20 minutos de sugestões, murmúrios e sensações que davam sono, ao final apareceu um, pasmem, um peito apenas e acabou o filme, fiquei desconcertado e irado, nunca mais assisti filmes eróticos, anos depois já estudando psicologia, descobri a diferença entre erótico e explícito. Mas, naquele dia, tive raiva, muita raiva..

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