Década de 50.
Meninos, nascidos em fazenda, Pongaí, interior de São Paulo, nunca tínhamos visto o Carnaval, o pouco que sabíamos era por meio das marchas que ouvíamos pelo rádio, quando meu pai conseguia sintonizar, pois os sinais eram fracos.
Tempos depois, quando viemos para São Paulo, ficamos ansiosos para ver o Carnaval.
Tanto pedíamos que nossos pais compraram fantasias, confetes, serpentinas e lança-perfumes (não era proibido), e nos levaram na matinê infantil, aqui em Santo Amaro, no salão do antigo Cine São Francisco, que não mais existe.
A alegria e o entusiasmo eram tanto que não cabíamos em nós de tão contentes que estávamos.
Começamos a rodopiar em horda, acompanhando a garotada e cantando, alegremente, a marcha que, até hoje, creio que é sucesso: "Jardineira".
Meu pai, que nos acompanhava, esperou pacientemente até o final do baile.
Chegando em casa, todos esbaforidos, fomos ansiosos contar a nossa mãe a beleza que tinha sido o nosso primeiro baile carnavalesco.
Falamos: – Mãe, vamos te ensinar a música nova que tocaram e que já sabemos cantar, quer ouvi-la? E lá, dois desafinados, cantamos para ela. Vimo-la sorrindo e perguntamos o porquê. Ela disse: – Meus filhos, essa música é do tempo de sua mãe quando mocinha.
Temos até hoje a foto que tiramos fantasiados de carnavalescos.
Foto que guardamos como uma eterna recordação de um carnaval que não mais existe.
Saudades…
e-mail do autor: [email protected]