Cada vez que chega em casa
ou arruma a mala para viajar,
a mesma pergunta: “onde está a minha bermuda?”.
A resposta: no varal, é claro!
Nem fica no armário, pois, o movimento se repete:
lava e veste. Com um tapa do vento do alto de Santana, já seca.
Ele não consegue ficar sem essa bermuda azul marinho, bem desbotada.
Por várias vezes foi separada para doação,
mas não dá tempo, logo a retira do lugar para usar.
Não foi por falta de procurar outra para substituí-la.
Nada o agrada, quer o raio da bermuda surrada.
Fala que aquela sim tem tecido firme,
mas agora parece um pano de chão.
O jeito foi pedir para a comadre repetir esse presente,
quem sabe ainda, no próximo aniversário.
Coitada, ela já nem lembrava mais que um dia deu essa bermuda, espantosamente, tão inseparável.