Dentre todos os momentos felizes de minha vida, um deles foi conhecer e me tornar amigo pessoal de Paulo Bomfim. O príncipe dos Poetas, continuando Guilherme de Almeida.Paulo Bomfim nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1926. É descendente de Bandeirantes e fundadores de diversas cidades. Iniciou suas atividades em 1945 no Correio Paulistano e depois Diário de São Paulo, Diário de Notícias do Rio e outros. Foi diretor de relações públicas da Fundação Casper Líbero. Foi jornalista do canal 4, no Mappin Movietone e apresentou na Rádio Gazeta a Hora do Livro. Seu livro de estréia foi Antonio Triste, em 1947, e seguiram-se outros maravilhosos até hoje. Diz José Rodrigues de Carvalho Netto, fundador da Academia Paulista de Magistrados: "Falar de Paulo Bomfim é falar do Bomfim de São Paulo. Porque falar de Paulo é falar de São Paulo. É falar do sagrado da poesia de São Paulo. Pois Paulo é São Paulo".
Este ano, ele completou 80 anos vivendo São Paulo, e fazendo São Paulo viver. Em 1996, mudei-me para Itanhaém, e por uma felicidade do acaso, fui morar vizinho à sua casa de veraneio.Ali o conheci e tornei-me seu amigo, pois admirador já era e sempre serei. Conheci Emi, sua nobre mulher e notável colaboradora. Seu filho, o saudoso Raul Paulo Bomfim, companheiro de todas as horas, culto e de uma bondade, que pode ser que Deus o tenha levado tão jovem, porque suas qualidades não eram compatíveis com este mundo. Mas Paulo não se abateu, e forte continua sua carreira, sem fim. Sua Neta, Mirela, sua netinha e seu enteado Dudu, grande artista Paulista, companheiro de Paulo em todas as horas. Paulo Bomfim que sempre escreveu São Paulo, e sempre resgatou a memória de nossa cidade, foi um resgatador de nossas raízes, não deixando morrer nossa história. Enalteceu e conservou viva a memória do grande Tribuno Ibrahim Nobre, o maior galhardão da Revolução de 1932, do qual falarei em outra história. Hoje, escrevendo esta história, é dia do Idoso, e nada mais emocionante do que apreciar sua poesia a mais adequada para esta data.
EU SOU AQUELE MENINO
Paulo Bomfim
Eu sou aquele menino
Que o tempo foi devorando,
Travessura entardecida,
Pés inquietos silenciando
Na rotina dos sapatos,
Mãos afagando lembranças,
Olhos fitos no horizonte
À espera de outras manhãs
-Ai paletós,ai gravatas,
Ai cansadas cerimônias,
Ai rituais de espera-morte!
Quem me devolve o menino
Sem estes passos solenes,
Sem pensamentos grisalhos,
Sem o sorriso cansado!
Que varandas me convidam
A ser criança de novo,
Que mulheres, só meninas,
Me tentam cabular
As aulas do dia a dia?
Eu sou aquele menino
Que cresceu por distração