O Poeirinha

O transporte coletivo onde eu morava na década de 60, possuía dois carros que faziam a linha Engenheiro Goulart-Penha; enquanto um vinha, o outro ia.

Assim, todos conheciam os motoristas e cobradores, da mesma maneira de que eles conheciam todos os passageiros e sabiam onde moravam. Apesar da cobrança da passagem, parecia mais uma "carona".

Quando comecei a frequentar o grupo escolar em 1966, tinha que pegar o ônibus, pois a escola era um pouco longe de casa. Íamos em três: Arlete, Ester e eu. Arlete era mais velha, já estava no terceiro ano, então, ela ia "tomando conta" de nós duas que éramos menores. Assim, começou uma amizade quase que de "pai para filha" entre nós, o motorista e o cobrador.

Quando acontecia da gente sair um pouquinho atrasada de casa e ele estava passando na porta, parava, esperava a gente atravessar a rua e subir para o ônibus; fazia assim para a gente não perder a hora da aula.

O ponto de ônibus perto da escola nunca funcionava para nós: ele parava em frente ao Grupo Escolar Barão de Souza Queiroz, esperava o guarda fazer a nossa travessia para só depois seguir seu trajeto.

Na volta, não era muito diferente: eu descia sempre na porta de casa, assim, minha mãe já sabia que eu estava chegando.

Certa vez, na ida à escola, eu percebi que havia esquecido o passe escolar! Sem problema… O cobrador deixou que no dia seguinte eu pagasse aquela passagem.

Alguém pode estar perguntando: "Por que o título Poeirinha?". Porque o ponto final dele em Engenheiro Goulart era numa rua sem asfalto… Um pó só! Verde e amarelo que era, vinha mesclado de um tom bege.

Era da Viação Urbana Penha – V.U.P. Esta empresa, se não estiver enganada, era propriedade do empresário Paschoal Thomeu, que chegou a ser prefeito de Guarulhos.

Tempinho bom de escola!

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