Conforme o prezado leitor se recorda, o nosso personagem, ao atingir a idade escolar, foi matriculado na Escola São Francisco de Assis, que era a única escola primária dentro daquele bairro desta cidade que era pequena. Foi lá que ele fez os quatro anos do primário.
Foi lá que, com muito orgulho, ele, em 15 de dezembro de 1952, recebeu das mãos da diretora, a irmã Maria Meshtildis Glassnier, o seu primeiro diploma de uma série de várias dezenas que ele obteria em sua vida, já que estudar e aprender sempre foram o seu maior prazer. Aliás, sua vovó sempre lhe disse: “O saber não ocupa lugar e não pode ser roubado ou confiscado”.
Em uma de suas idas ao centro da cidade para comprar materiais para sua avó, que era costureira, ele passou defronte a Casa Chopin, onde instrumentos musicais eram vendidos. Na vitrine estava exposto um violino. Ele é apaixonado por músicas tocadas nesse instrumento.
O valor estabelecido para a compra do mesmo estava muito além das suas possibilidades, solicitar ajuda ao seu pai ele achou que era a saída. Qual não foi a sua decepção quando a resposta foi negativa, com a observação de que música era coisa de vagabundo. O violino ficou esquecido, mas nunca morreu.
Concluída a admissão ao ginásio no Liceu Pasteur, colégio em que agora estava matriculado, ele iniciou o curso ginasial em 1953.
Foi na primeira série que ele conheceu a Dona Julieta, professora de música com quem aprendeu a interpretar o pentagrama com as notas musicais, que falam a única língua universal: a música. Foi quando ele fez um trabalho com material colhido na Biblioteca Municipal de São Paulo, sobre Paganini, que com seu Stradivarius encantava o mundo com as melodias tiradas dele.
Novas matérias faziam parte do curriculum escolar da época (imagine se hoje fosse assim): português, matemática, história do Brasil, história geral, geografia do Brasil, geografia geral, desenho geométrico, desenho artístico, inglês, francês, trabalhos manuais e, duas vezes por semana, tínhamos aulas de educação física e ginástica.
Alguns professores marcaram nossas lembranças, um foi o professor de português cujo nome era Cunha. Quando íamos ter aula com ele, os alunos que o estavam esperando no corredor o viam entravam na sala gritando “o Cunha taí”, fazendo alusão à música que era sucesso na época, da dupla Cascatinha & Inhana, e que falava da índia Cunhataí.
Outro professor sempre lembrado, até hoje, é o professor Valério, de matemática, que ao mandar-me ao quadro negro dizia (por causa dos meus cabelos ruivos): “Polenta frita! Vá ao quadro!”.
Do curso primário até os bancos da faculdade, nunca eu faltei às aulas, pois eu sabia os custos dos cursos que eu estava fazendo e a oportunidade que eu estava tendo.
Mas eu não só estudei. Um dia, primeiro de março de 1960, eu comecei a trabalhar na Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo, de lá saindo somente em 31 de dezembro de 1990, porque fui acometido por uma esclerose múltipla que me tornou paraplégico.
Mas eu tenho uma esposa e filhos que valem mais que qualquer tesouro do mundo. Tenho também vocês, meus amigos.
Obrigado, meu Deus e minha São Paulo, por tudo o que você me deu e dá todos os dias!
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