O natal e o Mappin

Começo pela minha infância nos anos 60. Quase todas as tardes minha mãe me levava no centro da cidade para caminhar um pouco e ver vitrines, mas a época que eu mais gostava era do mês de dezembro quando a cidade começava a ficar enfeitada para o natal. E a loja que tanto eu, como tenho certeza, a maioria dos paulistanos aguardavam para ver sem dúvida era o Mappin.

Todos os anos o Mappin inovava com seus enfeites natalinos na grande fachada de seu prédio, a cidade de São Paulo naquela época se curvava ao sabor do Natal, as pessoas caminhavam mais alegres, sorriam mais e se cumprimentavam ao passar umas pelas outras. A cidade ficava toda enfeitada, mas quem dava a largada para isso era loja Mappin.

Vinha gente de toda parte da cidade para admirar aquela decoração que fazia parte da tradição da cidade de São Paulo. Todos admiravam, homens de negócio, donas de casa, office-boys, carteiros, taxistas, enfim, todos olhavam para o alto para admirar.

Eu e minha mãe também, ficávamos lá parados minutos a fio vendo tudo aquilo, e ainda eu conseguia ouvir comentários do tipo -Puxa… ta mais bonito do que no ano passado. – É mesmo… esse ano eles capricharam. – Vou trazer minha família e muitas outras.

Era um tempo em que às pessoas marcavam para se encontrar na porta do Mappin, afinal… Quem nunca comprou pelo menos um par de meias no nosso saudoso Mappin hein? Lembram dos funcionários? Todos uniformizados, os homens de terno impecável e as vendedoras de taierzinho com o boton do Mappin na cor verde na altura do peito.

Bons tempos, onde podíamos escolher a mercadoria com calma, e ser atendido gentilmente pelo vendedor. Bom… Esse Mappin deixou saudades, para mim é um pedacinho da nossa cidade que se foi assim como um ente querido e que não pode ser substituído. Um forte abraço em todos aqueles que sabem que o Mappin foi parte integrante da nossa querida São Paulo.

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