O Museu da C.E.F.

Quem passa pela Praça da Sé tem sempre a atenção voltada para um edifício cuja fachada ostenta imponente colunata jônica de granito preto encimada por sóbrio e também imponente frontão clássico. É o edifício Sé, onde funciona a agência da Caixa Econômica Federal.

Durante muito tempo o lugar foi sede da presidência da Caixa. Com a unificação, em 1971, passou a abrigar a sede da filial São Paulo, até que, em 1979, foi transferida para a Avenida Paulista. Então, nas dependências da antiga presidência, no quarto andar, foi criado o museu, onde estão preservados móveis, objetos, maquinários, fotos e documentos relativos à atuação da Caixa em São Paulo.

Em 12 de janeiro de 1861, Dom Pedro II assinava o decreto 2723 criando a Caixa Econômica e o Monte de Socorro da Corte (Penhor). O documento de duas folhas manuscritas, assinado pelo Imperador e pelo Ministro Ângelo Muniz da Silva Ferraz, definia as regras básicas para o funcionamento da nova instituição e foi, também, o seu primeiro regulamento.

Para iniciar suas atividades, a Caixa Econômica e Monte de Socorro da Corte necessitavam de um capital inicial (ou lastro) de trinta contos de réis, conforme item 2 do Decreto 2723. Após conseguir esse montante, a empresa abriu suas portas no dia 04 de novembro de 1861, no prédio da Cadeia Velha (Palácio Tiradentes), na cidade do Rio de Janeiro, sob a presidência do Visconde de Albuquerque.

O Monte de Socorro (inspirado nos Montes Pios ou Montes de Piedade europeus) representou uma tábua de salvação para as classes mais humildes da população, que não tinham acesso a estabelecimentos bancários, principalmente para contrair empréstimos. Os empréstimos eram tomados com garantia de jóias e objetos, com juros e prazos aceitáveis para pagamento.

A caderneta de poupança também representou uma importante conquista, pois até os escravos podiam poupar suas economias para comprar a Carta de Alforria.

Em 18 de abril de 1874, Dom Pedro II assinou o Decreto 5594, autorizando a instalação de Caixas Econômicas e Montes de Socorro nas Províncias do Império. A primeira Caixa Provincial foi a de São Paulo.

A Caixa se instalou por aqui a 1º de setembro de 1875. Segundo documentos da época, o seu começo foi muito difícil. Naquele tempo, ainda não se conhecia a inflação, e quem tinha dinheiro preferia guardá-lo em casa, que era um lugar seguro. Dentro do colchão, o dinheiro não fazia alarde de riqueza e ficava sempre a mão para qualquer emergência. Um dos mais famosos guardadores de dinheiro da velha São Paulo, Joaquim José dos Santos Silva, o Barão de Itapetininga, foi quem possibilitou a instalação da CEF por meio de um empréstimo de 25 contos de réis. Empréstimo às avessas, porque foi concedido pelo barão a Caixa, servindo para a modesta instalação da casa bancária ali no Pátio do Colégio e para as primeiras transações comerciais.

Em 1905, a Caixa ganhou a sua primeira sede própria, planejada pelo arquiteto Ramos de Azevedo e situada na travessa da Sé, hoje Wenceslau Brás. Aos poucos, o prédio foi ficando acanhado para as suas múltiplas necessidades. Em 1934, quando Samuel Ribeiro ocupava a presidência da CEF, foi construído o grande edifício da Praça da Sé, 111. Planejado e executado pelos engenheiros Albuquerque e Longo, levou cinco anos para ser construído, tendo sido solenemente inaugurado a 29 de agosto de 1939 pelo então Presidente da República Getúlio Vargas.

Essa e muitas outras histórias podem ser conhecidas numa visita ao museu da Caixa Econômica Federal, que coloca ainda a disposição do público uma biblioteca de mais de 40 mil volumes, dentre os quais muitas obras raras.

Incentivadora da cultura e de toda manifestação artística, a Caixa tem papel fundamental nas obras que hoje estão ao alcance do público. Com o objetivo de resgatar a cultura e verdadeiros ícones do patrimônio cultural nacional, o Museu da CAIXA ganhou vida e hoje retrata a história política, econômica, artística e cultural do nosso país.

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