O morro do Elizeu no Jardim São Luiz, Santo Amaro

Há um grande empreendimento no Jardim São Luiz que era uma vasta mata intocável à época que deu origem à implantação da empresa Empavi, engenharia de pavimentação, e mais tarde à estrutura poliaquática “The Waves”, e depois ao grupo “Pão de Açúcar”, com o “Extra” e que estava antes destes. Na data (terreno) a extensão da Capela Nossa Senhora da Penha, que pertenceu a Conferência de São Vicente de Paulo, da “Parochia” de Santo Amaro, Arquidiocese de São Paulo, demolida em 1973, em um bairro que até hoje chamamos de Penhinha e que por muito tempo ficou desabitado. Mas todos chamavam de “Morro do Elizeu”, onde nasceu, mais tarde, na década de 1970, o Centro Empresarial de São Paulo, e que foi administrado pela Lubeca e hoje pelas Panamby, da família do então governador Orestes Quércia.
 
Muitos ainda dizem que algumas construções do bairro Jardim São Luiz pertencem ao “filho adotivo” deste senhor Elizeu Schmidt, que manteve matrimônio com Maria de Lourdes Queiroz Schmidt, que possuía uma escola de corte e costura na Rua Paulo Eiró, em Santo Amaro. Viveram por muito tempo nesta localidade que foi, por muito tempo, apartada de São Paulo, e, havendo diferenças de estruturas de bens entre as famílias, houve em comum acordo um contrato de separação dos mesmos, havendo entre ambos uma comunhão de vivência possuindo residência situada à Rua Capitão Tiago Luz, antes denominada Rua Direita, desembocando na Igreja de Santo Amaro.
 
O pai do senhor Elizeu Schmidt, seu Carlitos, muito conhecido na região, possuía uma gleba grande de terra no bairro do Jardim São Luiz, situado após o Rio Pinheiros, separado inclusive pelo conhecido até hoje como Morro do Elizeu, onde se situava um grande cruzeiro no alto cercado por grande eucaliptal. Seu Carlitos possuía este patrimônio em um local meio interiorano e estava sempre em suas terras para administrá-las.
 
Nesta região possuía terras na mesma localidade o senhor Horácio, que morava no local e desfrutava da mina de água que descia das ribanceiras do que mais tarde foi loteado para ser, a partir de 1938, o bairro Jardim São Luiz. Os dois vizinhos sempre estavam às rusgas por causa desta benesse que era a mina d’água, um ofendendo o outro sem nunca terem ido às “vias de fato”. O centro das grandes ofensas verbais era a cidade de Santo Amaro, onde galopavam em suas montarias bem “arreiadas” vindos da “cidade” de Santo Amaro.
 
De ofensas em ofensas culminou com um desfecho nada condizente entre os dois cavalheiros santamarenses: certo dia, em uma previsão dos idos de 1920, seu Horácio foi às vias de fato e, saindo das matas do bosque que deu origem a Praça Floriano Peixoto, foi tomar satisfação e em encalorada discussão golpeou o seu Carlitos, que não teve reação alguma de defesa e jazeu em frente ao portão de sua residência, em Santo Amaro.
 
Depois deste trágico acontecimento, o filho primogênito de seu Carlitos, senhor Elizeu, teve que assumir todo compromisso do “terreno material” paterno e com pouca idade manteve por muito tempo o patrimônio deixado pelo pai, no Bairro do Jardim São Luiz, vindo a falecer em 1985, aos 80 anos, sendo seu jazigo um patrimônio do Cemitério de Santo Amaro, construído pelo artista Julio Guerra.
 
São estas conjecturas da história que precisam ser de certo modo levadas em consideração para que um dia tenhamos a proximidade com a realidade local. Se há algo que possa ser acrescido, que todo santamarense tenha a responsabilidade de fazê-lo.