Antes era o bonde “Centex” que facilitava a vida dos paulistanos e fazia parte da paisagem urbana, cortando com seus trilhos as ruas e avenidas da cidade. Em 27 de março de 1968 essa atividade se findou na linha de Santo Amaro e para os "entendidos" esse transporte se tornou obsoleto diante das novas tecnologias, embora São Paulo tenha sido uma das cidades que mais utilizou esse meio de transporte. O bonde cortava as avenidas com seus trilhos, seu barulho peculiar, motorneiro e cobrador, esse que ficava pendurado no estribo para receber o dinheiro da passagem e depois tocava um sininho, avisando que o motorneiro poderia seguir viagem, mas todo esse romantismo teve fim.
As obras da primeira linha do metrô começaram a ser construídas em 1968 e foi inaugurada em 1974 – chamada Linha Norte-Sul, ligando o Jabaquara à Santana, em 1975 foi inaugurado o trecho Vila Mariana-Liberdade e também Liberdade – Santana e 1978 foi a vez da Estação Sé. No início era um "zum zum zum" medonho entre os habitantes das regiões que o metrô iria atingir, inclusive gerando desespero entre os comerciantes, pois seriam seis anos de pura estagnação para o comércio. Calçadas foram diminuídas e apesar do transtorno causado no pedaço, ônibus desviados de seus trajetos e moradores atônitos, finalmente a Linha Azul foi inaugurada e um alívio para todos.
Os mais velhos juravam que nunca iriam utilizar o "bicho" sob a terra e diziam:
– “Embaixo da terra é só tatu e quando a gente morre, sete palmos abaixo”.
A primeira viagem no metrô foi um alvoroço, pois todos queriam conhecer aquela obra prima da engenharia e virou ponto turístico nos finais de semana.
Um amigo meu, o Cafu decidiu, com muito medo, enfrentar sozinho o "bicho", então ele comprou o bilhete, mas não sabia como usá-lo, por vergonha de perguntar ficou parado, observando como as pessoas agiam, mas o que ele via era que elas "batiam" na catraca e passavam sem utilizar o bilhete. Sendo assim ele fez o mesmo, e lá ficou parado por alguns minutos até que o funcionário do metrô percebeu aquele rapaz, batendo o tempo todo na catraca e foi até lá ajudá-lo. A risada foi geral, pois ele, que era negro, dizia que tinha ficado roxo de vergonha.
Nosso bairro ficou valorizado pela presença de tão alta tecnologia e orgulhosos todos dizíamos que nosso bairro era o mais moderno de São Paulo. A geração de hoje, tão acostumada à esse meio de transporte, não faz ideia do que era a vida antes do Metrô, ônibus lotado da CMTC, demorava horas para se chegar até o centro da cidade, claro ainda hoje temos esse problema, mas sem o metrô seria um verdadeiro caos.
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