O Menino Fardado

Quem não usou algo parecido, não pôde sentir a imensa emoção de sentir na pele um traje tão chique e bem elaborado como a farda do mensageiro da Western Telegraph. Eles estavam em todos os cantos da cidade, pois essa era a sua atividade: entregar telegramas.
Como chamar aquele boné que eles usavam? Eram redondos, impecavelmente redondos. De formato igual só ví na cabeça daquele oficial francês da legião estrangeira! Ou então, de um comí de hotel! E o casaquinho?! De gola careca, igual dos chineses, botões dourados, enfileirados na vertical, em ambos os lados. Acinturados que eram, tinham dois bolsinhos, mas acho que só como enfeites, pois, preso a cinta, havia uma reluzente carteira de couro, onde eram levados bem protegidos os telegramas. A calça tinha a bainha virada para dentro, fato que desafiava a elegância italiana, mas tinha aquela tira, ou vivo, que descia pelas laterais. O par de sapatos, da marca Clark, tinha um solado de borracha tão eficiente que vencia os anos. O couro que antes passava por uma calandra, dava uma aparência granulada, inconfundível! Enfim, eles eram impecáveis! E como bons funcionários que eram, de uma empresa inglesa, eles eram sérios, soberbos, e orgulhosos da pompa que ostentavam.
Eu não vesti essa farda! Uma frustração e tanto que carreguei.

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