Meus “réveillons” sempre foram muito bons, mas o de 1971 foi inesquecível. Realizado no Clube Piratininga, na Alameda Barros, era a sede nova, um prédio muito bonito, onde mais tarde foi construída uma linda piscina e vários salões de jogos, atualmente a sede está completa.
Foi o primeiro réveillon no qual eu estava acompanhado de minha futura esposa e de muitos amigos. Chegamos às 20h e nos acomodamos nas mesas, o salão estava com uma linda decoração, era uma alegria geral, o salão todo perfumado, os convidados e sócios muito bem vestidos. De repente eu olhei para o salão, já estava totalmente lotado, e falei para o pessoal:
– “Hoje vai ser um lindo réveillon”.
Eu estava muito feliz (tinha 31 anos). A orquestra começou a tocar às 21h, músicas lentas, boleros, etc… No meio das músicas, de repente, começaram a tocar as lindas marchinhas de carnaval, foi uma loucura o pessoal todo foi pular o carnaval. Quando chegou a meia-noite, todos se abraçaram e alguns choraram cantando a velha canção: “Adeus ano velho, feliz ano novo”. E foi ali que compreendi que se todas as pessoas do mundo dessem as mãos, seriamos capazes de abraçar o mundo.
Foi um réveillon maravilhoso, o salão parecia um navio balançando de alegria, mas como em todas as festas, não poderia deixar de acontecer um fato inusitado. Nós estávamos sentados em uma mesa no salão de cima onde tinha um pequeno terraço, durante a ceia um amigo ao se levantar da cadeira, (ele estava bêbado) esbarrou no prato da ceia e o prato caiu no salão de baixo, na cabeça de uma mulher. Ela olhou para cima e começou a reclamar, foi uma risada geral. A cabeça dela ficou cheia de fatias de peru, arroz e tudo o que tinha na ceia. Aí falei:
– “Pessoal, vamos dançar se não o bicho vai pegar!”
Mas graças a Deus não houve nada de mais, foi só um acidente. A festa foi ate às 5h e na saída nos deparamos com uma chuva torrencial. Um dos amigos deu a ideia de dançarmos na chuva (imitando Gene Kelly e Debbie Reynolds em “Dançando na Chuva”).
E assim fizemos, tiramos os sapatos (os seguramos nas mãos) e saímos dançando na chuva, as pessoas que iam saindo do baile também entravam na dança e em poucos minutos mais de cem pessoas já estavam dançando na chuva e os carros ajudavam buzinando.
Foi um fim de ano maravilhoso, jamais vai acontecer outro réveillon como o de 1971.
E-mail: [email protected]