Quando eu era uma criança de seis ou sete anos, os nossos pais sempre nos alertavam a respeito do que podia e o que não podia ser feito.
“Cuidado, não toma leite com manga que é veneno”.
“Cuidado com o Homem-do-saco”.
“Não mastiguem a hóstia, é pecado, pois a hóstia é o corpo de Cristo”.
“Nunca calce somente um pé de sapato, dá azar”.
“Não pode se comungar sem antes ter se confessado com um padre; é pecado”.
“Nas sextas-feiras santas é proibido comer carne, se não vai para o inferno”.
E nós, pequenos inocentes, acreditávamos nas baboseiras ditas pelos adultos. Confesso que eu ficava assustado quando via um mendigo na rua, pois logo pensava no homem do saco e imaginava que ele iria me pegar.
O tempo passou, nós crescemos e vimos a realidade da vida. Todas aquelas baboseiras que os adultos diziam nunca existiram. Mas serviram para nos prevenir e nos deixar mais atentos à vida.
Lembro-me também que certa vez o Jornal A Hora publicou uma manchete que dizia o seguinte: “Na próxima segunda-feira, haverá o fim do mundo”. Levamos o jornal para a escola; todas as crianças ficaram com medo do mundo acabar. Todos, então, se prepararam para o fim, esperando chegar a segunda-feira e o mundo acabar.
As crianças sempre foram muitas assustadas pelos adultos… Certa vez, um senhor, que era meu vizinho, estava sempre conversando com o meu pai, e contou um caso que aconteceu na Itália: uma criança nasceu no dia 25 de dezembro (Natal), à meia-noite. E a família não gostou nem um pouco de a criança ter nascido em tal horário. Meu pai perguntou o porquê, ele disse: “Porque a criança virará… um lobisomem!”.
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