O General e o Soldado

Lendo a história de Joas Dias, publicada no SPMC com o título de “ O Sargento”, lembrei o que aconteceu comigo no meu primeiro dia em que servi no Comando do 2º Exército no Ibirapuera, em 1963.

Minha saudosa mãe vivia reclamando: “Não vejo a hora desse menino servir o Exército, só come arroz e feijão, lá ele ira aprender a comer, vai comer até pedra!”.

Seu pedido foi aceito. Lá estava eu, em meu primeiro dia, no pátio junto com os recrutas para a apresentação. Ansioso e nervoso, peguei um cigarro e como não tinha fósforo, fui pedir a um senhor ao lado para acender, o que gentilmente o fez. Um soldado já veterano, vendo a cena, se aproximou de mim e disse:
– Você é louco, moleque?! Tem me… na cabeça?! Aquele lá o General do quartel. É o comandante aqui.

Saí correndo, me enquadrei à frente do Comandante e meio gaguejando, disse:
– General, me desculpe, hoje é o meu primeiro dia aqui no Exército e eu ainda não conheço as patentes, me perdoe.

Perguntando pelo meu nome e após dar dois tapinhas no ombro, disse, em tom
suave:
– Soldado Joubert, você só não faça isso com Cabo e Sargento.

Naquele dia, entendi que o valor de um homem está no seu ato e na sua atitude ,e não naquilo que ele é.

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