Trabalhava eu na Rua Capitão Salomão, no ano de 1957, em uma loja de tecidos cujas entregas eram feitas em alfaiatarias de São Paulo. Minha mãe me dava 10,00 cruzeiros para pagar as idas e voltas, cujo valor era 7,00 e sobrava 3,00 para comer um pastel e um cachorro quente. Como eu colecionava as figurinhas do campeonato, não comia e ficava com fome.
Certa vez, fui eu entregar uma peça de tecido no bairro do Cambuci, na alfaiataria do seu Fúlvio, na Rua da Independência. Meu patrão, o Sr. Alcides, não dava dinheiro para o bonde e lá ia eu a pé, da Rua Cap. Salomão até o Cambuci. Imagine eu, com fome, a pé, tamanha era a minha raiva, mas, o Sr. Fúlvio sempre dava gorjeta, só que ele não estava e eu voltei mais bravo ainda.
Subindo a Rua Conselheiro Furtado, olhando para o chão, vi em um cantinho um rolinho de notas. Logo apressei em pegá-lo e sai correndo até a Praça da Sé. Sentei em um banco e conferi: eram 200,00 cruzeiros, que alegria… Dirigi-me a salsicharia “Dois Porquinhos”, na esquina da Rua Direita e pedi um sanduíche de pernil e uma Crusch, comprei 50 pacotes de figurinhas. Mas o difícil foi explicar a minha mãe que tinha achado 100,00 cruzeiros…
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