Eu sempre gostei de circo, desde a minha mais tenra idade eu amava assistir a um espetáculo circense.
E foi assim que, desde menino, eu fiquei conhecendo grandes atrações artísticas das rádios e dos teatros de São Paulo, nos palcos e nos picadeiros dos velhos circos teatros.
Havia, na década de 40 e 50, grandes companhias circenses atuando em São Paulo. Lembro-me assim de cabeça do Circo Artistas Unidos, Irmãos Savalla, Circo Françoa, Circo Liendo, Simplicio, que mais tarde transformaram-se em pavilhões, perdendo o tradicional picadeiro e usando apenas o palco.
Dentre eles destacaram-se os famosos Circo do Arrelia, armado durante muitos anos bem debaixo do Viaduto Santa Ifigênia, como também o Circo Piolim, armado por vários anos na Avenida General Olimpio da Silveira, esquina com a Lopes de Oliveira, quase em frente ao antigo Cine Santa Cecília.
E era lá no Circo Piolim que eu ia desde meus oito anos, acompanhando a minha irmã Jurema, que estava noiva do meu futuro cunhado Mário. Na época era muito bom ser o irmão ou irmã mais novo(a), pelo fato de que os pais daquele tempo não permitiam que os filhos, principalmente as filhas, saíssem desacompanhados à noitinha, e então eu era sempre escalado para ir junto (cuidar para que eles não pudessem transar ou curtir uns amassos mais profundos).
E assim, eu, durante quatro anos (tempo de noivado de minha irmã), pude curtir, à custa do meu cunhado, a ida semanal aos circos (meu cunhado era louco pra ir a circos, e principalmente o Piolim).
Dessa forma, eu passei praticamente quatro anos indo ao Piolim todas as quartas-feiras, que era o dia em que mulheres pagavam meio ingresso, como crianças menores de dez anos. E de sábado íamos ao circo que estivesse funcionando no próprio bairro, no caso, a Velha Freguesia do Ó, onde na época sobrava espaço para que os mesmos pudessem ser armados.
Foi assim que passei a gostar da vida artística e da comicidade vendo os números cômicos vividos pela dupla Piolim e Pinati, ou Piolim e Tony. Esse Tony, mais tarde, quando eu passei a ser artista de teatro e TV, tornou-se meu amigo, e assim tivemos a oportunidade de recordarmos muita coisa daqueles saudosos tempos.
Depois, já como artista, eu fiquei conhecendo pessoalmente Piolim, (que tinha por nome, se não me engano, Abelardo Pinto), esquecido, morando numa casinha de madeira na Rua Cajatí, na minha Freguesia do Ó. Triste e depressivo por ter sido despejado desse terreno na Olimpio da Silveira.
Quando mais tarde fui contratado pela TV Bandeirantes em 1967 e 1968, tive a oportunidade de trabalhar com o famoso cômico do teatro cinema e televisão, o popular Ankito, cujo nome real é Anchises Pinto, e descobri que o mesmo era sobrinho do grande Piolim.
Acho que foi em 1971 ou 1972 que a escola de samba Pérola Negra, após a morte do famoso palhaço e querendo prestar uma homenagem ao velho palhaço, desfilou no 2º grupo (quando o desfile era ainda na Avenida São João) com o enredo Piolim. Eu então fui convidado pela diretoria da escola para sair de destaque como Piolim. E assim, vestido igual ao grande palhaço, eu atravessei a São João revivendo o meu grande ídolo Piolim, cantando. Piolim, Piolim, Piolim. Era assim que todos te chamavam…
Piolim morreu esquecido, despejado pelo inamps que eram os proprietários do terreno na General Olimpio da Silveira.
Em qualquer lugar do mundo Piolim teria um lugar de honra, uma estátua na General Olimpio da Silveira. Ou a Rua Cajatí, onde ele morou e morreu esquecido, já teria o seu nome. O grande palhaço de São Paulo e dos maiores do Brasil jamais será conhecido pelas futuras crianças paulistas e brasileiras. Será que algum dia haverá uma rua chamada Piolim em São Paulo?
As grandes atrações de circo que assisti na minha infância e juventude foram Rosita Del Campo – cantora espanhola, cansei de comprar fotos da Bela Rosita -, Arminda Falcão, Los Mexicanitos (que mais tarde eu conheci pessoalmente, completamente esquecidos, vivendo em Feira de Santana – Ba, quando lá estive fazendo um show).
O grande sambista de São Paulo Caco Velho, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Mazzaropi, Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho, Cascatinha e Inhana, Torres, Florêncio e Rieli Filho, Palmeira Luizinho e Zezinha, Junior e seus cowboys, que mais tarde ficou conhecido como Jacinto Figueira Junior, o homem do sapato Branco. Bob Nelson, que bem mais tarde eu também fiz amizade no Rio de Janeiro, Elza Laranjeira, Alda Perdigão, meu Deus, quanta saudade.
Grandes peças como O Morro dos Ventos Uivantes, O Sinal da Cruz, Paixão de Cristo.
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