Quem gosta e tem dinheiro para comprar roupa e acessórios de griffe costumam frequentar o Shopping Iguatemi, um ponto comercial que figura na lista dos 10 mais caros do mundo. Mas quem não tem dinheiro e quer estar na moda bate perna no centro de São Paulo. Tudo o que é lançado como moda é rapidamente copiado e na mesma semana se espalha nas vitrinas populares das Ruas 25 de Março e José Paulino.
Porém, nos dias de hoje, a moda não é como antigamente quando um produto poderia durar até um ano. Hoje em dia, existe aquilo que chamam de fast-moda, moda rápida. Trata-se de algum produto novo que uma atriz exibiu num capítulo de novela e que, geralmente, dura poucas semanas, pois, já nos próximos capítulos, a mesma atriz aparece com algo totalmente diferente, ou então o mesmo artigo de duas semanas atrás, mas usado de forma diferente.
A mulherada fica doida com tantas tendências diferentes e tem dificuldades para escolher o que está em voga. Você anda pela Rua 25 de Março e você pode ver aquela mulher em dúvida, meio perdida, daí ela se aproxima de um camelô e finge que sabe o que quer, mas não está encontrando. O camelô pede detalhes e ela disfarça com palavras vagas: – – “Sabe, é um tipo de top mais ou menos assim”. Aí, entra o camelô-consultor e mostra o top que está na moda.
A mulher ainda tem dúvidas. Ela não sabe se a peça deve ser usada como lingerie ou como biquíni. E o camelô explica que dá para usar das duas maneiras e ainda esbanja: – “O top listado vermelho e branco fica ótimo na praia, como biquíni mesmo, com uma calcinha lisa, que tenha uma das cores da estampa do sutiã. Você veste uma camiseta de gola canoa por cima, um short e um chapéu e vai arrasar”.
Se você perguntar a um camelô onde ele aprende sobre as tendências, você recebe a resposta mais óbvia: – “Fico de olho nas novelas e principalmente em revistas de gente famosa”. E lá vem outra mulher, andando a passos lentos pela José Paulino, prestando mais atenção nas bancas dos camelôs do que nas vitrinas das lojas, e o camelô logo percebe e ataca: – “E aí, dona, não vai querer levar uns óculos da moda?” A mulher deve estar pensando: – “Estou cansada de pagar caro por óculos”.
O camelô não perde tempo e começa a dar dicas: – “Óculos grandes estão na moda, mas não cai bem na senhora que tem rosto redondo, por isso recomendo que a senhora leve o oval que é universal”. Outro dia, na 25 de Março, perguntei a um camelô que estava por dentro de tudo, cores, formas, estampas. – “E se a cliente pede uma mercadoria que já saiu de moda?”.
O camelô responde: – “É problema dela, mas se a freguesa pergunta se ficou bom, eu não minto. Digo que não fica e mostro o que tem de melhor”. São Paulo é assim, tem de tudo. Até camelô-consultor de moda que entende mais do que uma vendedora dentro de uma loja.
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