O Cambuci que eu conheço

Meu Cambuci não é de quarenta anos atrás, é de vinte. Vinte anos que eu passei neste bairro e do qual levarei lembranças eternas.Morava na rua Hermínio Lemos e todos os dias acompanhava o movimento na Lins de Vasconcelos, aquele lugar parecia não estar em São Paulo, todos os vizinhos eram antigos e se conheciam muito bem, eu brincava na rua e meu quintal era o pátio do antigo Instituto Aché, onde tinha um cachorro de concreto, com quem todas as crianças (da época) tem uma foto.
Acho que a lembrança mais forte é a de passear com meus pais pela Lins, na época do Natal, aquela avenida enfeitada, iluminada e movimentada. De comprar jujuba numa loja de doces que existe até hoje na Lins, em frente ao Banespa e de balançar nos brinquedos do largo do Cambuci.
Eu estudei no Oscar Thompson, do lado de casa, nem dava prá matar aula, e como éramos todos do mesmo bairro, eram comuns as reuniões nos finais de semana prá brincar e correr, sempre, no meio da rua ou no Balneário, onde tinha uma feira de artesanato e a piscina, sempre cheia de gente.
E lanche então??? O ponto era a lanchonete Zip-Zip e A Chapa, que inclusive, cresceu bastante, eu sei…
A gente, quando criança, marca pontos e lugares sem motivo algum, quando minha mãe ia me buscar na A Doce Vida, era uma maratona prá eu voltar prá casa, tinha que subir no murinho do banco BCN, na Lacerda Franco, no extintor na esquina e na garagem rebaixada da casa ao lado, todo dia…nunca falhava.
Eu sei que não devemos nos apegar tanto ao passado, mas com um lugar desses, não dá para não ser nostálgica, eu não moro no Cambuci há alguns anos, nem em São Paulo, mas bairro como esse não tem igual, pessoas não são iguais, infância como a que eu tive, meus filhos não terão, e olha que eu nem tenho 30 anos ainda!
Minha rua tinha árvores, e se não fosse a construção de um novo condomínio, ainda veríamos as marcas na parede chapiscada do aché das fogueiras que fazíamos com jornal velho e madeiras que conseguíamos pela rua.
É, eu cresci no Cambuci, eu vivi no Cambuci, e alguma parte de mim, ainda vive lá.