O Cachimbo

O ano: 1962, A cidade: São Paulo, O bairro: TREMEMBÉ, onde: Restaurante RECREIO HOLANDES, num domingo fomos (a família) almoçar no Recreio Holandês, e nesta época meu pai fumava cachimbo (coisa horrível), mas o que fazer? Meu pai onde ia, sempre levava consigo o (ridículo) cachimbo. Neste dia estávamos em uma mesa ao lado de uma família de alemães. Meu pai começou mexer com seu cachimbo, mas não ia acendê-lo. Pra encurtar a história, minha mãe era húngara, porém sabia falar muito bem o alemão. Meu pai, não… ele era de origem espanhola. Sabia falar o português e o espanhol. Quando ele começou manusear o cachimbo, o alemão falou na sua língua natal à sua família: “aquele homem TONTO vai fumar a porcaria do cachimbo” minha mãe ouviu isto e disse a meu pai “em alemão” não vá acender o cachimbo, pois a família de TONTOS ao lado está reclamando de seu cachimbo mesmo apagado. Depois ela nos falou bem baixinho em português o que o alemão tinha falado, e por sua vez o que ela falou. Pois não sabemos alemão. Pra encurtar, os alemães, pagaram sua conta, levantaram para se retirarem, e o velho nos olhou e disse em alemão. ATÉ LOGO, FELICIDADES E DESCULPE A MINHA INDELICADEZA. Todos nós abanamos as mãos e caímos na risada. Por isso que amo São Paulo, é uma terra de todos e para todos. Que saudades. Vocês vão me perguntar, de que? Aí eu respondo…
De meus pais, das trapalhadas, e do Recreio Holandês.