Hoje preparava salsichas, com molho de tomates, para o jantar, quando recordei um episódio da década de 1970.
O pessoal do colégio combinou de realizar um trabalho escolar no apartamento de uma colega, na Avenida Higienópolis.
Lembro-me do local com ares da aristocracia, quadros de pintores famosos cobriam integralmente as paredes das salas, com mobília antiga.
Logo fui recebida por empregados impecavelmente uniformizados.
Aguardei pacientemente pelo aparecimento da colega, naquele amplo ambiente com janela panorâmica para as árvores daquela avenida.
Após muita conversa e acertos com a equipe, houve a finalização do trabalho.
Já noite, fomos convidados para o jantar.
Com insistência, aceitei o convite.
Na hora de servir a refeição, cada familiar com lugar pré-determinado e os visitantes acomodados.
As baixelas seguiam, desfilando nas mãos dos empregados.
Eu pensava: o que será que servirão com tanta pompa?
Os guardanapos de pano, dobrados com esmero, foram delicadamente colocados no colo, como ritual, pelos pais da colega.
Daí em diante, ficava mais curiosa com o cardápio.
Adivinhem o que serviram?
Em um recipiente arroz, em outro salsicha com molho de tomate e no seguinte quiabo cortado.
Ali, da nobreza, só o brilho das baixelas!