A idade vem chegando e as lembranças antigas vêm à mente.
Nasci em 1946, na Travessa Mello Barreto, mas quando tinha três anos, minha família mudou-se para a Rua Aristides Lobo, onde moramos até 1965.
Nesse período, duas vezes por semana, acontecia um fato insólito para os dias de hoje.
Lá pelas tantas da tarde, ouvia-se um tocar de sinos de aproximando: “Beléim, Beléim…” cada vez mais alto.
Era um senhor com suas cabras que andava pelas ruas vendendo leite "in natura" para quem quisesse. Logo se formava uma fila. Copos, canecas e leiteiras eram colocadas sobre as tetas das cabras, que eram ordenhadas na hora. Podíamos tomar um leite fresquinho, morno e saudável.
Fato inimaginável para as novas gerações… Assim como as galinhas vendidas vivas na feira-livre, onde se elegia a preferida dentro de um engradado, sendo que o vendedor gentilmente se oferecia para sacrificá-las, poupando a dona de casa desse aborrecimento. Daí a mesma era escaldada para retirarmos as penas e passada pela chama do fogão para eliminar qualquer vestígio (“-eita cheiro ruim!”). E começava a fase mais difícil: abrir sua barrigada com muito cuidado para que não estourasse o fel, que poderia contaminar toda a carne tornando-a imprestável.
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