O bonde Avenida Angélica

Remexendo no baú em casa e vendo o álbum de fotografia da família, encontrei várias fotos que não lembrava mais, uma das fotos eu estou junto com o meu pai, de terno e gravata, todo chique.

Nós fomos no aniversário de um tio, no bairro de Higienópolis, e antes de nós sairmos o meu irmão tirou a foto.

Lembro-me como se fosse hoje, tomamos o bonde Avenida Angélica, eu sentei junto à janela, era o bonde novo (O Gilda) com os bancos todos de palhinhas.

O bonde desceu a Avenida Angélica, eu junto à janela olhava a paisagem, as pessoas andando na calçada, os prédios, era tudo tão calmo, tudo simples e bonito.

Era um passeio simples de bonde, mas eu estava tão feliz, parecia que eu estava passeando dentro de um carro super luxuoso. Como eu gostava do bonde Avenida Angélica, era o meu companheiro para passear.

Durante muitos anos andei no bonde Angélica, até a minha mocidade.

Se não me falha a memória, foi em 1962 que os bondes foram tirados de circulação, mas eu consegui dar o último passeio no bonde Angélica. Ele desceu a Avenida Angélica, entrou na praça Marechal, e terminou na Alameda Glete. Era o ponto final.

Desci do bonde, com tristeza, pois o meu companheiro estava se aposentando.

Como é bom lembrar do passado simples e bonito. Pode parecer estranho, mas o bonde Avenida Angélica traz grandes recordações. Faz parte da minha vida. Um simples bonde fez minha infância e mocidade muito felizes.

Nunca vou esquecer do meu grande companheiro, o bonde Avenida Angélica.

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