O bairro do Bom Retiro e a "zona boêmia"

Dia 13 de abril de 1.953, finalmente 18 anos de idade! Agora posso frequentar os lugares "proibidos para menores". A primeira providência foi tirar a carteira profissional no antigo Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro; a carteira de trabalho do menor tinha a capa vermelha, a de maior tinha a capa marrom.<br><br>A convite de meus inesquecíveis amigos Fausto, Dimer, Wagner e Arnaldo, fui pela primeira vez conhecer a "zona boêmia da cidade", que ficava no Bom Retiro, um quadrilátero formado pelas ruas Aimorés, Carmo Cintra, Itaboca e Alameda Nothman.<br><br>Pegamos o bonde Casa Verde no Largo de São Bento e descemos na Rua José Paulino, entramos na Carmo Cintra e na primeira travessa ficava a Rua Aimorés; as casas tinham portas com venezianas largas e as mariposas nos "convidavam" para entrar. Gozarmos de inesquecíveis momentos de prazer a preços módicos.<br><br>O movimento era intenso nos dois lados da rua, o som musical vinha dos rádios que estavam todos sintonizados na Rádio América, no programa que se chamava "Cortina Mexicana", com os boleros em volume alto. <br><br>Ainda me lembro de alguns: "pintor nascido em mi tierra, con el pincel extranjero…", ou ainda "En el camino verde, camino verde que vá a la ermida, desde que tu te fuiste lloran de pena las margaridas…" ou "Dos almas que nel mundo, habia unido Diós, dos almas que se amavam, dos éramos tu y yo…" ou então "Besame, besame mucho, como si fuera esta noche la ultima vez…".<br><br>Por volta da meia-noite a polícia ordenava a saída de todo mundo; fui embora lembrando ainda dos momentos vividos com a Dulce, minha primeira vez naquele "antro do pecado".<br>