Desculpem o título esdrúxulo, mas é assim mesmo. No último dia 28 de dezembro fomos convocados a uma reunião de ilustres literatos conhecidos, porém (até então) ilustres pessoalmente desconhecidos .<br>Convocações não se discutem (e eu iria discutir esta ? Meio cansado sim, louco porém ainda não) por isso fui, ávido para conhecer e estar perto das figuras tão ímpares que nos últimos meses me fizeram passear novamente por tantas calçadas e rever tantos personagens desta São Paulo querida.<br>Cheguei cedo, misturando ansiedade com a curiosidade de conhecer aquele shopping de tão colorida fama, e me postei à espera dos tão afamados amigos.<br>Chega o Chammas, que já conhecia (e há quanto tempo, mais de 40 anos para ser mais ou menos exato), cumprimentos, lembranças, reclamos, recados, e ficamos à espera.<br>Chega o Mario procurando, procurando, desconfiado que seríamos nós dois seus amigos, enquanto que o Chammas e eu, discutíamos, vamos não vamos, deve ser o Mario, não deve, deve, não deve.<br>Afinal ele foi. E era. (Confesso que o Chammas mais ou menos tinha advinhado os traços físicos do Mario.) Um espaço no restaurante; a ansiedade de quem vem, quem não vem, logo surge uma figura simpática e personalíssima, apresentando-se como o Saidenberg.<br>Abraços, cumprimentos, um lugar à mesa, mais um chopp a acompanhar os demais que já iam pela metade. E, como diria um velho amigo, “a festa começara”.<br>Casais e jovens que por nós passavam olhavam para aqueles que quase juntos contavam com quase 2 séculos e meio de idade cantarolando músicas, com evocação à São Paulo, bailes antigos e faziam desfilar um sem parar de contos, casos, histórias e personagens da Vila Olímpia, do Itaim, do Brooklin, Bela Vista, do…., enfim de toda São Paulo. Falaram do 4º Centenário. Acho que com um pouco de esforço falariam até do 3º Centenário. E sempre os três. <br>Quando um iniciava um conto, outro intervinha e o continuava; alguns reparos aqui, outros adendos acolá; a simples citação de um fato, de um lugar e logo jorrava aquela torrente de conhecimentos, preenchendo lacunas e lembranças, completando historias que não se encaixavam na recordação de um ou de outro.<br>Dizer que foi uma noite agradável seria pouco. Foi uma noite rica. Foi o primeiro encontro físico. Não será o último, pois outros já estão agendados.<br>Entendo, na minha imensa modéstia, que está se lançanda uma semente. Oxalá seja fértil o solo e possamos todos usufruir desses frutos, que sob uma tênue e ilusória casca de saudade, possuem a mais doce e saborosa polpa que se chama história de um povo. A infância de hoje deve ter conhecimento do que se passou na verdadeira história do Brasil. Não a contada nos livros, mas a verdadeira que é transmitida em tom de conversa, por aqueles que efetivamente foram, são e serão sempre seus principais personagens.<br>Por que o título desta crônica? Porque para mim, o que brotou naquela mesa exige uma marca mais forte e um divisor de águas mais acentuado. Revigorado, na manhã seguinte havia um novo ano novo em meus projetos pessoais.<br>Que venham outros amigos, que venham muitos, que venham todos. Finalmente, de minha parte, o quarto personagem daquela redonda mesa, devo dizer que sem falsa modéstia, tive uma atuação destacadíssima: na pizza e no chopp que me couberam, fiz meu papel sem qualquer deslize ou necessidade de qualquer reparo.