A casa do meu “nonno” Consolato, na Rua Anhanguera, tinha 400 m² de terreno. Eu e meus irmãos tínhamos colocado a propriedade à venda em 1997 e o terreno precisava ser limpo.
Tinha uma casa antiga que não podia ser usada, pois uns elementos, que usavam a casa emprestada por um tio, quando saíram, levaram todo o piso de tábuas da casa. Ficou aquele porão exposto e via-se que a casa tinha sido construída sobre arcos com tijolos aparentes, a coisa mais linda.
Enfim, precisava cortar o mato que crescia no quintal para poder, talvez, receber uma possível visita. Mato alto de anos que atravessava até o piso cimentado, já tinha mamonas e pequenas árvores. Estava um mato fechado.
Resolvi, em um sábado de manhã, sair dos jardins e ir para o mato da minha propriedade para dar uma de bandeirante e desbravar aquele lote. Não se conseguia nem chegar aos fundos, onde existia um pequeno galpão sem telhado, levado pelos mesmos amigos do meu tio. Eu seria o Anhanguera da Anhanguera.
Peguei o meu facão de obra sempre super afiado, meu boné de pipa, garrafa de água gelada e lá vai o Diabo Velho, como era conhecido o Bartolomeu Bueno da Silva. Trabalhei feito um condenado durante mais de hora, sem sentir que estava realmente cansado. Mas, conseguindo cortar todo aquele matagal sem se machucar, o que é muito importante.
O glorioso bandeirante dá um tempo e vai lá para frente dar uma descansada e ver a meninada. Suado, sujo e desarrumado saio pelo portão, encostando-se ao meu carro, parado em frente a casa para tomar um fôlego. Camisa grudada e cabelo molhado de suor. Feliz da vida por estar na sombra sem fazer absolutamente nada.
Noto que pela calçada vem vindo um homem barbudo de uns dois metros. Achei o cara esquisito, não por que ele era alto, mas por que me olhava esquisito, e pensei em entrar para evitar um assalto, mas dez metros antes de chegar perto de mim ele atravessou a rua, parecendo me evitar, quando então percebi que ainda segurava meu facão.
O fulano grande e mal encarado lá na frente volta para o meu lado da calçada. Então, percebi que o assustado era ele!
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